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COLUNA DO MARLON

Favoritismo não entra em campo

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CRB venceu o CSA por 2 a 0 e ficou com a vantagem para a volta
CRB venceu o CSA por 2 a 0 e ficou com a vantagem para a volta | Foto: Ailton Cruz

No futebol, é preciso separar as coisas: favorito não é vencedor. Favorito é quem tem mais probabilidade. Só isso. A palavra carrega estatística, investimento, elenco e histórico. Não carrega taça.

Em Alagoas, o debate esquenta fácil. O CRB é o único do estado na Série B, vem de uma sequência pesada de decisões e entra no Estadual 2026 sempre com a placa de “time a ser batido”. Basta dizer isso para surgirem as contestações de CSA e ASA. Faz parte. Futebol também é identidade, orgulho e rivalidade.

Veio a fase de classificação do Estadual 2026, e o roteiro mostrou cedo que probabilidade não é sentença. O CRB não terminou a primeira fase na liderança; o favoritismo não virou passeio. Na semifinal, o primeiro jogo do clássico virou argumento para os dois lados: o CRB abriu vantagem e agora joga com uma gordura importante. Pode até perder por um gol de diferença e, ainda assim, chegar à 15ª final consecutiva.

Do outro lado, o CSA será mandante no jogo da volta e vai tentar contrariar o favoritismo vermelho usando o que a torcida mais gosta: pressão, arquibancada, adrenalina e a lógica simples do mata-mata — um jogo muda tudo.

Na outra chave, ASA e Murici repetiram o 0 a 0 no primeiro jogo. Se houver novo empate, o favorito ASA decide nos pênaltis, a loteria mais democrática do esporte. Para o Murici, o domingo em Arapiraca é o jogo do ano. Vencer significa viabilizar o clube por dois anos. Não é força de expressão; é realidade de calendário, receita e sobrevivência.

Renato Paiva, depois da vitória do Botafogo sobre o PSG no Mundial, soltou uma frase que serve como aviso para todo mundo: o cemitério do futebol está cheio de favoritos. A frase não desmerece ninguém. Ela apenas recoloca o futebol no lugar certo: jogo se decide no campo, não na planilha.

Armando Nogueira chamava o futebol de pátria da emoção. Nelson Rodrigues via ali a última flor do impossível. No fim, é isso que explica o encanto: se favorito sempre ganhasse, bastava entregar a taça antes do apito. E ninguém sairia de casa para assistir ao óbvio.

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