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COLUNA DO MARLON

O recorte que engana

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Técnicos Eduardo Barroca, do CRB, e Jair Ventura, do Vitória
Técnicos Eduardo Barroca, do CRB, e Jair Ventura, do Vitória | Foto: — Foto: Marcus Vinicius

O barulho em torno do aproveitamento como visitante, tratado por alguns quase como atestado de fracasso de um trabalho, empurrou esta reflexão. Sim, time forte tem obrigação de competir fora, buscar resultado e não se acomodar. Isso não está em debate. O que merece debate é outra coisa, a pressa em usar esse recorte, isoladamente, como sentença definitiva, ignorando contexto, número e a própria lógica do futebol brasileiro.

Os dados de 2025 ajudam a colocar a conversa no lugar. Nas Séries A, B e C do Brasileiro, os visitantes venceram menos de um jogo a cada quatro. Na Série A, foram 90 vitórias em 380 partidas, 23,7%. Na Série B, também 90 em 380, os mesmos 23,7%. Na Série C, 50 triunfos em 216 jogos, 23,1%. Traduzindo sem firula, no Brasil, ganhar fora não é rotina. É diferencial.

Nem Flamengo e Palmeiras, dois modelos de força do futebol de elite, escapam dessa realidade. No Brasileirão de 2025, o Palmeiras foi o melhor visitante, com 35 pontos em 19 jogos e 61% de aproveitamento. O Flamengo veio logo atrás, com 32 pontos e 56,1%. É campanha forte, claro. Mas até os melhores deixaram pontos pelo caminho em quase metade das saídas.

Por isso o mando tem tanto peso. Não é folclore, nem desculpa. É estrutura de campeonato. É por isso que derrota em casa costuma acender crise mais cedo. Quando o mandante tropeça, perde mais do que três pontos, perde terreno justamente onde o campeonato costuma ser construído.

No fim, talvez a reflexão seja simples. Cobrar faz parte. Cobrança rasa, não. Quem olha só para o número do visitante, sem entender a dificuldade real desse cenário, muitas vezes não quer explicar o futebol. Quer apenas encaixar o jogo numa tese que já estava pronta. E tese pronta, no futebol, quase sempre escuta menos do que fala.

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