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COLUNA DO MARLON

Stakeholders: quando o jogo deixa de ser só futebol

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Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira
Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira | Foto: Reprodução

Durante muito tempo, o futebol era explicado apenas entre quatro linhas. Ganhava quem corria mais, quem treinava melhor ou quem possuía mais talento. Hoje, isso ficou pequeno para explicar o tamanho da engrenagem que envolve um clube profissional.

O futebol moderno virou um ambiente de stakeholders, palavra importada do mundo corporativo para definir todos aqueles que possuem interesse direto no processo. No futebol, eles estão por toda parte: dirigentes, empresários, patrocinadores, torcedores, imprensa, familiares, redes sociais, investidores, conselheiros, departamentos internos e, claro, os próprios atletas.

O problema começa quando cada interesse passa a competir com o interesse coletivo.

O treinador pede ao ponta para recompor e fechar linha defensiva. Do outro lado, muitas vezes existe alguém dizendo ao jogador: “Para de baixar tanto. Atacante precisa aparecer na frente, fazer números, gerar scout.” O volante precisa pisar na área, mas também escuta que perder posição pode prejudicar sua avaliação. O zagueiro precisa quebrar linhas conduzindo a bola, porém sabe que um erro viraliza em segundos.

O futebol atual não vive apenas uma disputa tática. Vive uma disputa de narrativas e interesses.

Talvez por isso o treinador moderno tenha se tornado menos um desenhista de esquemas e mais um gestor de convencimentos. A prancheta continua importante, mas administrar ego, ansiedade, influência externa e vaidade passou a valer quase o mesmo que montar um 4-3-3 ou ajustar a pressão alta.

Carlo Ancelotti talvez seja um dos maiores exemplos disso. Nunca foi o treinador mais “fashion” taticamente da Europa. Mas poucos conseguiram algo tão difícil: convencer estrelas milionárias a correr pelo coletivo sem se sentirem menores individualmente.

No fim, os grandes times normalmente possuem algo em comum: o interesse coletivo consegue falar mais alto do que os ruídos externos.

Porque quando cada stakeholder começa a pensar apenas no próprio retorno, o clube deixa de ser equipe e vira vitrine.

Vitrine gera engajamento. Coletivo, normalmente, gera título.

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