SEGURANÇA
Seleções têm revista rigorosa nos Estados Unidos
Rígida política migratória dos EUA já começou a impactar participantes da Copa
A rígida política migratória dos Estados Unidos já começou a impactar participantes da Copa do Mundo. Nos primeiros dias de movimentação das delegações, seleções foram submetidas a revistas de segurança e até um árbitro escalado para o torneio teve a entrada no país negada.
A seleção de Senegal chamou atenção nas redes sociais após imagens mostrarem jogadores e integrantes da delegação sendo revistados individualmente com detectores de metal e inspeção de bagagens. O episódio ocorreu na segunda-feira (8), em Raleigh, na Carolina do Norte.
Nessa terça-feira (9), a federação senegalesa esclareceu que a vistoria aconteceu ainda ao lado da aeronave, antes do embarque, como forma de agilizar o deslocamento da equipe e evitar a passagem pelas áreas convencionais do aeroporto.
A seleção da Bélgica também passou por um procedimento semelhante ao desembarcar em Chicago. Jogadores foram submetidos a inspeções detalhadas, incluindo verificações com detectores de metal nos calçados.
Outro caso envolvendo as regras de entrada no país atingiu o árbitro somaliano Omar Artan. Escalado para atuar na Copa e apontado como o primeiro representante da Somália a apitar partidas do Mundial, ele teve a entrada barrada nos Estados Unidos após horas de interrogatório, apesar de possuir visto válido, segundo a federação de seu país.
Já a seleção do Uzbequistão relatou dificuldades ao chegar a Chicago para um amistoso contra a Holanda. A delegação afirmou que todas as bagagens foram revistadas e que os integrantes aguardaram por horas sob forte calor até serem liberados. O técnico Fabio Cannavaro criticou o procedimento e disse nunca ter vivido situação semelhante.
Enquanto isso, no México, o clima foi bem diferente. A seleção da Espanha foi recebida em Puebla com apresentações musicais, danças e bandeiras, em uma recepção festiva antes de um amistoso contra o Peru. Nas redes sociais, a equipe espanhola agradeceu a recepção dos torcedores mexicanos.
Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, os Estados Unidos endureceram as regras migratórias. Às vésperas da Copa, o governo ampliou de 19 para 39 o número de países sujeitos a restrições de vistos e viagens. Entre os afetados estão Haiti, Irã, Somália, Sudão e Mali.
Outra medida adotada foi a exigência de cauções para a concessão de vistos a cidadãos de cerca de 50 países considerados de risco. Os depósitos reembolsáveis variam entre US$ 5 mil e US$ 15 mil e têm como objetivo evitar permanências irregulares após o final da Copa.
Já a seleção do Irã teve um contratempo na preparação para o Mundial. O amistoso contra Granada, que seria o último teste da equipe antes da estreia no torneio, foi cancelado após a delegação granadina não conseguir viajar ao México, nova base dos iranianos.
Segundo a Federação de Granada, os jogadores da seleção não estavam em condições de jogo para realizar a viagem. A partida ocorreira com portões fechados, assim como ocorreu no amistoso em que o Irã venceu Mali.