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Pobre futebol feminino de Alagoas

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O fenômeno Marta no futebol feminino tem servido de incentivo a mulheres que desejam enveredar pela carreira no futebol. Não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, jovens garotas sonham em chegar ao topo dos gramados, assim como a melhor do mundo, por três vezes. A alagoana de Dois Riachos Marta chegou ao Santos, no início de setembro, e foi recebida com festa pela torcida do Peixe, como uma verdadeira estrela no time de Pelé, para vestir a camisa 10, na disputa da Copa do Brasil de Futebol Feminino. Mas até que ponto o ?furacão? Marta tem servido para mudar a situação da modalidade esportiva no Brasil? Que dificuldades enfrentam as garotas que amam o esporte predominantemente masculino? Se no eixo Sul/Sudeste, com clubes que, de certo modo, tentam valorizar o futebol feminino, problemas como preconceito, falta de estrutura e de investimentos são uma constante, o que dizer dos centros menos desenvolvidos, onde até o futebol masculino se torna, muitas vezes, uma dor de cabeça para atletas, dirigentes e torcidas? ### Valquíria: promessa dos gramados alagoanos O sonho de se tornar uma Marta no futebol feminino brasileiro é o de muitas garotas espalhadas pelos gramados deste Brasil afora. E muitas delas esperam tornar esse sonho realidade. Em Alagoas, terra da melhor do mundo, acredita-se que outras Martas podem surgir. E por que não? Uma dessas promessas, candidata a ocupar o topo ao lado de Marta, não nasceu em Dois Riachos, terra da melhor do mundo. É natural de Viçosa, cidade localizada a 81 km de Maceió. ### Dorinha ?briga? por melhorias Quarenta e três anos e uma disposição invejável para jogar e ainda arranjar tempo para ?brigar? e tentar mudar o quadro atual do futebol feminino em Alagoas. Ela já jogou como atacante, lateral, zagueira e volante. Só não atuou como goleira. O perfil é da pedagoga Dorivane Gomes, ou simplesmente Dorinha, como é conhecida a experiente atleta do Cesmac, considerada pelas companheiras como a ?vovó? do time. Ela chega ao Estádio Cleto Marques Luz e as colegas Madriana e Larissa já dizem: ?A Dorinha é boa para dar entrevista. Ela é mais desenrolada?. Dorinha se aproxima e já começa a falar, com descontração e se sentindo à vontade. Inclusive foi Dorinha mesma quem falou sobre ser ?considerada a vovó? da equipe. ?É, dizem isso de mim, mas tenho o mesmo condicionamento das meninas aqui?, gaba-se a falante jogadora. E prossegue: ?Não sou vovó, sou experiente?. ### Técnicos creem em mudanças A tendência do futebol feminino é crescer, embora de forma lenta. Essa é a aposta de José da Silva, o ?seu? José, técnico do Oito de Março, que também disputa o Campeonato Alagoano. ?Não que o futebol masculino estacionou, pois sempre estão surgindo novos craques. Mas o feminino vai crescer, devagar, mas vai. E acredito que novas Martas vão surgir?, opina. O Oito de Março, fundado em 2006, participa dos campeonatos do Sesi/TV Gazeta (com crianças) e da Liga de Futebol (com adultos). ?Mas esse time que estou comandando é novo, foi montado para o campeonato feminino deste ano?, acrescenta. ### Nada mudou, diz dirigente do ECA ?Estou aqui, minha filha, juntando uns trocadinhos para pagar as passagens das meninas?. A informação, em tom de lamento, é da fundadora e atual tesoureira do Esporte Clube Alagoas (ECA), que disputa o Alagoano de futebol feminino, dona Esmeralda Tavares Sidrônio, ao longo de seus 71 anos de vida. A cena se passa nos vestiários do ECA, no jogo contra o Oito de Março, no Estádio Cleto Marques Luz. Dona Esmeralda tentava arrecadar recursos para dar as jogadoras, a fim de que elas pudessem pegar o ônibus e ir para casa. ?A gente chega aqui só com a cara, a coragem, a roupa e a bola na mão, minha filha. E vamos empurrando com a barriga, do jeito que dá?, revela. ### Caef e FAF respondem às denúncias Sobre as acusações de preconceitos contra as atletas, o presidente da Comissão Estadual de Arbitragem (Ceaf), Hércules Martins, afirmou que até o momento não chegou ao seu conhecimento nenhum tipo de reclamação, a não ser um caso envolvendo um mal-entendido em uma das partidas. ?Houve apenas o caso em que um de nossos assistentes confundiu uma jogadora que estava no banco de reservas com um rapaz de cabelo curto, mas tudo foi resolvido?, explicou Martins. ///

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