COLUNA DO MARLON
A cabeça também joga
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Força mental não é eliminar a pressão. É continuar decidindo bem quando ela chega.
Virou moda falar em “mental forte” no futebol. Nas redes sociais, parece até uma receita pronta: grito, peito estufado, vídeo motivacional e a obrigação de não demonstrar medo.
A ciência, porém, mostra algo bem mais complexo. Uma meta-análise publicada em julho de 2026 na Psychology of Sport and Exercise (Psicologia do Esporte e Exercício, em tradução livre) reuniu 21 estudos sobre desempenho sob pressão. Intervenções como controle da atenção, rotinas prévias, mindfulness e diálogo interno produziram efeitos relevantes: 0,66 na precisão motora e 0,44 no sucesso da execução.
Ou seja: a cabeça também se treina. O CSA ajuda a entender isso. Contra o Nacional, Yago Oliveira falhou praticamente na primeira bola, e o time pareceu carregar aquele erro durante os minutos seguintes.
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Antes, contra o Uberlândia, outra decisão havia resultado em um primeiro tempo de pouca reação. O técnico Moacir Júnior reconheceu: “Sucumbimos um pouco, como no jogo passado”.
Mental forte não significa não errar. Significa impedir que um erro contamine a próxima decisão.
Na próxima quinta-feira (3), o CSA precisará marcar dois gols. Mais importante do que fazê-los cedo será continuar jogando bem caso eles demorem a sair.
Sian Beilock, psicóloga e referência mundial no tema, define o choking como o desempenho abaixo daquilo que a pessoa sabe fazer justamente quando mais precisa acertar.
No futebol, a pressão não avisa quando chega. Por isso, cabeça forte não se pede. Treina-se.