FUTURO
Capitão do acesso, Allef projeta desafios do ASA em 2027
Único alagoano do elenco destaca papel da direção e do técnico na volta à Série C
A migração precoce, a falta de oportunidades regionais e o funcionamento dos grandes polos de captação de atletas são algumas das possíveis explicações para um jogador de futebol nunca ter atuado por um clube de seu estado. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade do Futebol em 2021, com dados fornecidos por 12 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, aproximadamente 50% dos atletas de 14 a 21 anos são naturais de estados diferentes daqueles em que atuam.
Allef, alagoano e capitão do ASA, parecia seguir esse caminho. Ainda jovem, passou pelas categorias de base do CRB, mas não teve oportunidades na equipe profissional. Depois, defendeu equipes de menor expressão em Alagoas, como Penedense e Miguelense, sem conseguir se consolidar.
Em 2024, chegou a Arapiraca para vestir pela primeira vez a camisa do ASA, com o objetivo de levar o Fantasma à Série C, competição que o clube não disputava desde 2017. O jogador teve participação importante na equipe, mas seu desempenho não foi suficiente para garantir o acesso naquele ano. Em 2026, porém, o sonho se tornou realidade. Com uma campanha expressiva na Série D, o ASA foi vice-campeão e garantiu o retorno à Terceirona.
“No começo da carreira profissional, eu não levei tão a sério quanto deveria. Depois, graças a Deus, pude botar a cabeça no lugar e voltar a viver grandes histórias. Este ano foi maravilhoso. É um orgulho e uma satisfação imensa representar esse povo de Alagoas, essa cidade e esse clube”, afirmou.
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O jogador também falou sobre as dificuldades de conquistar espaço no futebol do próprio estado e destacou o orgulho de entrar para a história do ASA.
“Eu sei como é difícil um jogador alagoano conquistar espaço no próprio estado. Não é fácil, até porque o futebol é muito dinâmico, e os jogadores mudam muito de clube. Mas a felicidade é absurda. Sou de São Miguel dos Campos e acompanhei o ASA conquistar muitos títulos no estado e ser soberano em alguns momentos. Fazer parte dessa retomada do ASA rumo a dias melhores é muito importante para a minha vida e para a minha carreira.”, destacou.
Avaliação de 2026
O capitão avaliou a temporada como positiva para o clube, que voltou a conquistar um lugar na Série C do Campeonato Brasileiro.
“Eu avalio a temporada de 2026 como muito produtiva. Chegamos longe em praticamente todas as competições que disputamos. Um dos fatores que, na minha opinião, nos levaram ao acesso no fim do ano foi acreditar no processo. O difícil é quando você não chega. Mas, quando chega, precisa tirar aprendizados e adquirir sabedoria”, pontuou.
Além de destacar o mérito do elenco, Allef fez questão de ressaltar o papel do técnico Itamar Schülle nos resultados conquistados. O treinador chegou ao ASA em um momento de oscilação da equipe, mas conseguiu reverter a desconfiança no elenco e aumentar a confiança do grupo ao longo da temporada.
“O que posso falar do Itamar é que ele é um cara que não deixa ninguém na zona de conforto. Ele tem esse perfil, e você vê que ele quer vencer. Acredito que foi um cara importante. Não é à toa que ele é vencedor. Soubemos aproveitar o melhor do Itamar, e ele soube aproveitar o nosso melhor. Isso foi muito importante e agregou bastante”, comentou.
Futuro
Com foco na disputa da Série C de 2027, o ASA adotou a estratégia de tentar manter a base do elenco que conquistou o acesso.
“É muito importante que o clube mantenha uma base sólida. Estávamos na Série D, mas sabemos que somos capazes e que podemos disputar tranquilamente uma Série B ou C.. Isso não define ninguém. Temos grandes jogadores, comprometidos e dispostos a evoluir”, disse.
Allef também projetou os objetivos da equipe alagoana para a próxima temporada.
“É importante se manter na divisão no primeiro ano, mas meu objetivo é tentar chegar à parte de cima da tabela. É lógico que sabemos que é uma competição difícil e que o ASA está há algum tempo sem disputá-la. Mas o ASA tem tradição, tem jogadores e é capaz de brigar por objetivos maiores”, concluiu.
* Sob supervisão da Editoria