Esportes
Dom�nio na Copa ainda � o mesmo
Com a eliminação de Gana, na última sexta-feira pelo Uruguai, o mais importante campeonato de seleções do planeta mantém sua geografia de domínio mundial. A Copa do Mundo continua sob a força do futebol europeu e sul-americano. Até o Mundial de 2006, foram nove títulos para cada continente. Em 18 mundias, a Europa venceu com a Itália (quatro títulos), Alemanha (três), França (um) e Inglaterra (um). A América do Sul levou a taça com o Brasil (cinco títulos), Argentina (dois) e Uruguai (dois). No primeiro mundial na África, o campeão será sul-americano ou europeu. Um dos continentes vai chegar a dez títulos mundiais e desempatar a disputa entre Europa e América do Sul. A Holanda chega a sua quarta semifinal e busca o título inédito. Já o Uruguai volta a disputar uma semifinal depois de 40 anos. A última foi em 1970. OS ERROS QUE ELIMINARAM A SELEÇÃO | UOL Porto Elizabeth, África do Sul ? É sempre mais fácil criticar depois, mas a seleção de Dunga foi suficientemente ?cornetada? antes e durante a Copa do Mundo da África do Sul, de maneira que os erros cometidos na partida contra a Holanda, na última sexta-feira, não surpreenderam os observadores mais atentos. O Brasil terminou o Mundial de 2010 com cinco partidas, três vitórias, um empate e uma derrota. Foram marcados nove gols e sofridos quatro. A derrota para a Holanda foi a 15ª do Brasil em Copas do Mundo. Abaixo, uma seleção dos sete mais notórios erros cometidos pelo Brasil no Mundial deste ano: » BALANÇO Brasil do técnico Dunga foi alvo de críticas antes e durante a Copa e cometeu sete falhas cruciais para sua permanência no torneio *** POUCA CRIATIVIDADE Já em maio, ao convocar a equipe que ia à Copa do Mundo da África do Sul, o técnico Dunga deixou clara a sua prioridade: um meio-campo marcador. Dos oito jogadores do setor, seis tinham características mais defensivas do que de criação. Kaká não tinha um substituto à altura e isto ficou confirmado durante a Copa. Não à toa, o lateral Daniel Alves entrou em todas as partidas na função de meia. DESCONTROLE Com dez em campo e perdendo o jogo, o Brasil mostrou impressionante desequilíbrio. Até Robinho quis brigar com os holandeses. O capitão Lúcio não fez um único gesto no sentido de acalmar o time ou mostrar comando. Em sua terceira Copa, Kaká e Gilberto Silva igualmente se omitiram. Não houve um brasileiro em campo capaz de orientar os demais, acalmá-los ou mostrar liderança. MELHOR DEFESA Louvada em verso e prosa, a zaga brasileira mostrou, de fato, grande qualidade contra adversários de menor expressão, mas falhou seriamente na partida decisiva. Júlio César, ?melhor goleiro do mundo?, e Felipe Melo foram na mesma bola no lance do primeiro gol holandês. No segundo, Sneijder, com 1m70, não precisou nem sair do chão para cabecear na direção do gol brasileiro e virar para a Holanda. FELIPE MELO A expulsão de Felipe Melo era considerada certa em qualquer casa de apostas. A dúvida era saber em que jogo ocorreria. Acabou sendo numa partida decisiva. O volante já tinha deixado a marca da sua chuteira em Pepe, na partida contra Portugal, mas mereceu apenas um cartão amarelo. Contra a Holanda, quando o Brasil perdia por 2 a 1, deu um pisão em Robben e corretamente ganhou um cartão vermelho direto. MUNDO PARALELO A euforia e a confusão na fase de preparação da Copa do Mundo de 2006 foram eleitas, quatro anos depois, como as causas da derrota na Alemanha. A imprensa foi escolhida como inimigo preferencial. O mundo exterior à seleção brasileira se transformou numa ameaça constante ? nem os parentes dos jogadores deveriam vir à Copa, recomendou o técnico Dunga. Isolada como num quartel, a seleção viveu uma realidade paralela na África do Sul. KAKÁ PELA METADE Numa situação normal, o camisa 10 da seleção talvez fosse poupado no início da Copa. Mas Dunga apostou todas as suas fichas nele e Kaká acreditou que seria o protagonista deste Mundial. Em más condições, passou uma boa parte da fase de preparação se recuperando fisicamente e jamais encontrou a forma perfeita durante o torneio. Apesar de ter dado assistência em três gols brasileiros, o meia foi uma grande decepção. DUNGUISMO O técnico da seleção implantou uma filosofia de trabalho na contramão de todas as tradições do futebol brasileiro. Fez o elogio da marcação perfeita, do posicionamento rígido, criticou o individualismo, desprezou o futebol-arte e, pragmático, mirou exclusivamente o resultado. O Brasil teve poucos momentos de bom futebol na África do Sul, e não compensou o torcedor com a vitória final. Assim, encerra a era Dunga na seleção brasileira. TODAS LOUCAS POR COPA | FERNANDA MEDEIROS - Repórter Já se foi o tempo em que futebol era coisa para homens. Agora a mulherada também está esperta e de olhos bem abertos no esporte número um do Brasil. E, em época de Copa do Mundo, o sexo feminino fica mais atento ao que ocorre no mundo da bola. Algumas entendem o que se passa dentro das quatro linhas, outras nem tanto. E outras, não estão nem aí. Assumem que não entendem nada de esquema tático, impedimento, tiro de meta e muito menos sabem para que servem um volante, um ala, um atacante, um meia em campo, por exemplo. Só torcem e gritam gol quando a seleção brasileira está em campo. Essas são as torcedoras de ocasião. Da ocasião da Copa. E a Gazeta foi em busca de algumas delas. Uma das torcedoras ouvidas pela reportagem e que está no rol das que manjam mais ou menos do metiê é a engenheira agrônoma Valéria Costa, que está acompanhando os jogos da Copa do Mundo e garante que não é nenhuma ?analfabeta futebolística?. TORCEDORAS MIRAM BELEZA EM CAMPO Um grupo de torcedoras que só vibram e acompanham o futebol em épocas de Copa do Mundo, formado pelas jovens irmãs Marianne Pereira, Mariela Pereira e Marili Pereira, além das amigas Jane Barros, Cleide Barros e Taciana Edite, está triste por causa da eliminação do Brasil do Mundial da África do Sul. É claro. Mas o motivo da tristeza das meninas não é apenas a eliminação em si, mas porque vão deixar de ver, ?limpar a vista? com jogadores como Elano, Kaká, Júlio César, Nilmar e até Robinho, segundo elas, os mais bonitos da seleção de Dunga. Mesmo assim, nem por causa da eliminação brasileira, elas vão deixar de assistir ao restante dos jogos. Afinal, lá na África ainda tem jogadores ?de encher os olhos? da mulherada, como elas mesmas afirmam. FM NADA DE SISTEMA DE JOGO | FERNANDA MEDEIROS - Repórter De outras seleções, as garotas também citam os seus preferidos no quesito beleza. Taciana Edite e Marili Pereira afirmam que gostam da seleção da Argentina. ?Acho o genro do Maradona lindo, o Sergio Agüero?, diz Taciana. ?Eu também gosto da Argentina e do Messi?, emenda Marili, que revela gostar, ainda, do brasileiro Kaká. Marili também não esquece de citar os jogadores da seleção da Itália, a Azurra. Mas ela exagera e cita o time todo. ?Todos são lindos. No álbum de figurinhas da Copa, as páginas da Itália mais parecem um book de tão lindos que eles são!?, exclama. Todas assitem aos jogos juntas. Na eliminação do Brasil, quando perdeu para a Holanda, por 2x1, sexta-feira, estavam na casa de Taciana. Quando o árbitro apitou o final do OS PROBLEMAS DA COPA | TERRA São Paulo, SP ? Greves, congestionamentos, apagões e roubos. A Copa do Mundo da África do Sul coleciona uma lista extensa de problemas. A Fifa empurra a questão sobre desorganização ao Comitê Organizador Local (COL). Este, por sua vez, dá respostas simplistas e pouco esclarecedoras. Confira os casos mais graves no Mundial. Sem dúvida este é o tema mais massacrado pela imprensa durante a Copa do Mundo e uma preocupação latente desde a Copa das Confederações do ano passado. Na competição de 2009, os casos mais preocupantes foram o roubo sofrido pelos jogadores do Egito e o furto ao lateral Kléber, do Brasil, durante a competição. Em documento oficial, a Fifa falou que os incidentes serviram como lição para o Mundial e que o trabalho seria duplamente reforçado. A polícia gastou 640 milhões de rands para aumentar seu efetivo e dar treinamento a seus homens. Porém, o que se vê é o cenário se repetindo com casos e mais casos.