Integração
Confira os destaques do interior alagoano #I06042021
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MINERADORA: CONTAMINAÇÃO AGRÍCOLA
Um novo e grande problema ambiental brota no Agreste de Alagoas com a instalação da Mineradora Vale Verde (MVV), em meio a uma área produtiva de alimentos e por onde o Projeto do Canal do Sertão deve passar, levando água de boa qualidade para centenas de agricultores familiares. O Projeto do Canal do Sertão tem como objetivo transformar toda a região do Agreste em um grande polo de produção de hortifrutigranjeiros. É um sonho antigo, inclusive, da saudosa deputada federal Ceci Cunha, que, como muitos parlamentares alagoanos, como Albérico Cordeiro e o ex-governador Geraldo Bulhões, sonharam. Mas agora, com a chegada da MVV, o cenário mudou com a desvalorização das terras em volta do empreendimento e a possibilidade de contaminação do solo, consequência do depósito de resíduos minerais, altamente perigoso para qualquer meio de vida. A possibilidade vem sendo também discutida pelos produtores que têm propriedades próximas, principalmente onde está sendo construída a gigantesca barragem de resíduos tóxicos da mineradora. A preocupação foi levada aos representantes do povo, os vereadores, por meio do presidente Nando Rosendo, a única voz em Craíbas que se levanta questionando a poderosa mineradora inglesa, que chegou mudando a vida de milhares de pessoas que viviam em paz.
CANAL DO SERTÃO
O projeto do Canal do Sertão é levar água para as comunidades do semiárido alagoano e servir de fonte de abastecimento humano, mas também ser usado na produção agrícola. O projeto sempre foi esperado com grande ansiedade pelos produtores rurais da região metropolitana de Arapiraca, onde é hoje o maior polo produtor de Alagoas de hortifrutigranjeiros.
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CANAL DO SERTÃO 2
A chegada do Canal do Sertão potencializaria ainda mais a região na produção de alimentos e também de ração volumosa para animais, como feno, tão importante para alimentar o rebanho da Bacia Leiteira de Alagoas, que tantos empregos e renda gera e muito mais que a Mineradora Vale Verde, que, a partir de julho, terá apenas 500 pessoas empregadas.
SOLO COMPROMETIDO
O debate que levanta, agora, entre os agricultores próximos à gigantesca barragem de rejeitos contaminados da Mineradora Vale Verde (MVV) é de extrema importância para a sobrevivência de milhares de agricultores familiares, mas também de problemas sociais e econômicos, que podem surgir num cenário a médio prazo.
COMITÊ DE BACIA
O Comitê de Bacia Hidrográfica, até o momento, não se posicionou sobre a problemática. Assiste a tudo em silêncio, mesmo diante do debate que se inicia, apontando o surgimento de problemas para as futuras gerações. O que não é desejado é que se repita o mesmo erro que foi cometido com a instalação da Braskem em Maceió, em que se trocou o silêncio por “prêmios”.
BRASKEM/ALERTA ANTIGO
Como jornalista, fui um dos primeiros a denunciar os perigos que representava a exploração do sal-gema em Maceió. Meu primeiro artigo, baseado em declarações de ambientalistas, na década de 90, alertava para o perigo de afundamento do solo da região da Lagoa de Mundaú, mas não imaginava que atingisse o Pinheiro, o bairro do Farol e a Gruta de Lourdes. O dano foi maior do que se imaginava.
BRASKEM/TRAGÉDIA
A tragédia anunciada infelizmente se concretizou, desalojando milhares de famílias e destruindo negócios de outros milhares, em benefício da exploração mineral, que prometeu empregos, que não chegaram, prêmios de jornalismo, que engavetaram pautas de reportagens, e ações simplórias ambientais, que nada produziram para novas gerações, que herdam mais esse passivo ambiental.
MINERADORA/HISTÓRIA SE REPETE
No Agreste, nos meus quase 30 anos de jornalismo, a história parece se repetir. A área de caatinga, um berçário enorme de pássaros silvestre totalmente devastado para dar lugar à Mineradora Vale Verde, que chegou prometendo “emprego, renda e desenvolvimento”, mas que, pouco mais de um ano depois, se prepara para demitir 1.600 trabalhadores em plena pandemia.
PASSIVO SOCIAL
Assim como a Braskem, a Mineradora Vale Verde trará, além de um enorme passivo ambiental, um passivo social com milhares de trabalhadores desempregados, que passarão a fazer parte das estatísticas do IBGE em Arapiraca, Craíbas e região. Os 2 mil postos de trabalho serão reduzidos a pouco mais de 400. Daí virão os problemas sociais.