SEGURANÇA PÚBLICA
Anuário do FBSP Mostra País em Transição na Violência
Segurança
Lançada nesta semana, a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra que a segurança pública atravessa um período de transição no país. O levantamento funciona como uma radiografia da violência no Brasil, oferecendo uma base confiável de informações para gestores públicos, pesquisadores e a sociedade civil.
Dados
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) analisou os dados apresentados e alerta os gestores locais para os principais resultados que impactam a gestão da segurança pública nos municípios. Um dos destaques desta edição é a redução de 8,2% nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) em relação ao ano anterior, alcançando o menor índice desde 2012.
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Novos métodos de análise
Com base nos dados desagregados, o Brasil antecipou em dois anos o cumprimento da meta de redução estabelecida pela Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS). A política, revisada em 2021, fixou como objetivo atingir a taxa de 16 homicídios por 100 mil habitantes até 2027. Segundo o Anuário, a taxa nacional de homicídios dolosos foi de 15,4 por 100 mil habitantes.
Políticas públicas
Diante desse cenário, a CNM defende maior monitoramento e ampliação do acesso aos recursos destinados à continuidade das políticas públicas de prevenção. A entidade também reivindica a desburocratização do acesso dos municípios aos fundos federais destinados a investimentos em segurança pública. Atualmente, os municípios dependem de convênios e editais esporádicos, o que compromete sua autonomia para executar ações permanentes de enfrentamento à violência.
Crimes virtuais
Os estelionatos consolidaram-se como o principal crime patrimonial do país, refletindo a migração da criminalidade para os ambientes digitais. Com isso, a sensação de vulnerabilidade da população passou a estar cada vez mais associada às fraudes eletrônicas. Em 2025, foram registrados, em média, 258 golpes por hora, um crescimento superior a 400% desde 2018. Em relação aos crimes patrimoniais tradicionais, os furtos passaram a superar os roubos, indicando uma mudança na estratégia das organizações criminosas.
Mudanças
Nesse contexto, a CNM avalia que esse novo cenário exige maior protagonismo dos municípios na prevenção primária, por meio de políticas de letramento e conscientização digital, consideradas essenciais para proteger especialmente as populações mais vulneráveis contra fraudes eletrônicas.
Serviço de inteligência
A entidade também defende o fortalecimento das ações de inteligência, a integração entre as forças de segurança, o compartilhamento de informações e a ampliação do acesso dos municípios a bases de dados. Além disso, considera urgente que a União promova capacitação contínua das equipes locais e amplie os repasses diretos destinados ao desenvolvimento de ferramentas de proteção no ambiente digital.
Investimentos
Um dos pontos mais críticos revelados pelo Anuário é a confirmação do aumento contínuo da participação dos municípios no financiamento da segurança pública, tendência já identificada anteriormente pela CNM. Os dados apontam um crescimento de 72,2% nas despesas municipais com segurança pública.