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Nº 5710
Internacional

Come�a na �frica a confer�ncia para salvar o mundo

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Por | Edição do dia 27/08/2002 - Matéria atualizada em 27/08/2002 às 00h00

Johannesburgo (África do Sul) – A Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Rio+10) começou, ontem, em Johannesburgo, com o discurso do presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, que pediu aos 65 mil líderes do mundo inteiro que adotem um plano de ação nos próximos dias para salvar o planeta. Durante dez dias, o progresso econômico, o bem-estar dos povos e a proteção do meio ambiente serão o tema central da conferência, a maior da história da Organização das Nações Unidas (ONU) e a primeira grande reunião desse tipo desde a realizada no Rio de Janeiro, em 1992. “Pobreza, subdesenvolvimento e desigualdade somadas a uma preocupante crise ecológica mundial põem em risco a vida da maioria dos seres humanos”, afirmou Mbeki em seu discurso de abertura. Assim como fizeram nos últimos dias as autoridades da ONU e os líderes de vários países em desenvolvimento, o presidente sul-africano ressaltou que o tempo de reflexão passou e que os líderes mundiais têm de ser “responsáveis” para dar aos cidadãos as soluções práticas que esperam. Erradicar a pobreza As diferenças entre os hemisférios Norte e Sul deste planeta crescem cada dia um pouco mais e tornam impossível um desenvolvimento duradouro, mas “o panorama pode ser diferente”, afirmou. “Pela primeira vez na história da humanidade, a sociedade possui capacidade, conhecimento e recursos para erradicar a pobreza e o subdesenvolvimento”. Nos próximos dias, ministros e especialistas de quase 200 países vão discutir um programa de ação para a próxima década, baseado na Agenda 21, um ambicioso conjunto de recomendações teóricas aprovado no Rio de Janeiro, em 1992, que aposta em um modelo de desenvolvimento apoiado em três pilares: avanços econômicos, progresso social e proteção ao ambiente. “Temos de pôr fim à inércia da década passada e fazer acordos sobre medidas práticas claras. O plano de ação de Johannesburgo, que discutiremos e negociaremos, deve ser um plano de ação real e com condições de alcançar seus objetivos”, declarou na abertura o presidente da África do Sul. Entretanto, são muitas as questões que separam os quase 200 países que participam desta cúpula, a maioria delas referentes à erradicação progressiva da pobreza, como ajuda pública ao desenvolvimento ou medidas protecionistas e subsídios que prejudicam os países em desenvolvimento. Desde o último sábado, diplomatas de vários países estão tentando conciliar interesses para avançar neste plano de ação de 71 páginas. As negociações registraram progressos em “questões menores”, segundo autoridades da União Européia, que confirmaram hoje que algumas posturas continuam difíceis de conciliar. “Temos de mostrar a bilhões de pessoas que governamos que não podemos aceitar que a sociedade se construa sobre o princípio selvagem da sobrevivência do mais forte”, afirmou o presidente. A cúpula está sendo realizada no Centro de Convenções Sandton, no norte de Johannesburgo. Mais de cem chefes de Estado e de governo irão, na próxima semana, à cidade sul-africana para participar dos últimos dias de negociações. Discussão sobre aquecimento é defendida por cientista do Bird Johannesburgo – A Rio +10 não poderá deixar de lado a  questão do aquecimento global,  mesmo que seu principal foco  seja o combate à pobreza, segundo o cientista Robert Watson. Watson foi demitido em  abril da IPPC, comissão da ONU encarregada de estudar a questão, segundo ele porque seu trabalho não agradava aos Estados Unidos. Ele comparece a Johannesburgo como técnico do Banco Mundial (Bird). “As mudanças climáticas terão um impacto adverso na agricultura, na água e na saúde humana nos países em desenvolvimento, especialmente aqui na África”, afirmou. Um dos efeitos mais conhecidos do aquecimento global é a elevação no nível das águas, por causa do degelo das calotas polares. Por isso, disse Watson, dezenas de milhões de pessoas estão ameaçadas em áreas litorâneas, nos deltas de rios ou nos pequenos países insulares. “Acho que a mudança climática é uma questão importante para o desenvolvimento, que deve estar integrada ao nosso pensamento”. Aquecimento Como chefe da IPPC, Watson apresentou relatórios que previam um aquecimento médio do planeta de 5,8ºC em cem anos, o que parece ter irritado os norte-americanos. Responsáveis por um quarto da emissão de dióxido de carbono do mundo, os EUA abandonaram o Protocolo de Kyoto, uma iniciativa internacional contra o aquecimento global, para não prejudicar os interesses de suas indústrias. A Rio +10, ou Cúpula Mundial do Desenvolvimento Sustentável, que começou ontem, foi convocada para fazer um balanço dos dez anos da conferência ambiental Eco-92 e desenvolver novas estratégias de como combater a pobreza sem destruir o ambiente. O aquecimento global não está entre as prioridades do encontro, que deve dar mais importância a temas sociais, como acesso à água e saúde.

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