Internacional
Fal�ncia econ�mica traz levante no Egito
Quando no último dia 25 jovens egípcios foram às ruas pela primeira vez para derrubar o governo Hosni Mubarak, muitos analistas encontraram nos números a explicação para a revolta. Velhos conhecidos, presentes diariamente na vida dos egípcios, termos como ?bakshish? (propina, em árabe) e ?wasta? (elos, daqueles que permitem apadrinhamentos políticos e benefícios ilícitos) foram usados para descrever a falência de um país onde o desemprego entre os jovens com menos de 30 anos chega a 90%, e 40% da população vivem com menos de US$ 2 por dia. Além dos desejos de melhores oportunidades e liberdades civis, outro fator segue motivando turbas de manifestantes a enfrentarem as artimanhas do regime. A milenar História de um Egito que foi o coração político e intelectual do mundo muçulmano na virada do século X para o século XI e, mais recentemente, comandou o mundo árabe com o Panarabismo de Gamal Abdel Nasser nos anos 50. Sua herança pesa. E a chegada ao século XXI imerso no atraso e na repressão fez os egípcios despertarem em busca do orgulho ? e da hegemonia ? perdido. Eles querem sua autoestima, até então mumificada, de volta. ?Sabemos que estes dias de violência trazem uma realidade pior. Mubarak tem fama de perseguidor O preço pelo acordo de paz com Israel ? e por crescentes denúncias de corrupção em seus últimos dois anos de governo ? Sadat pagou com a vida, em 1981. Seu assassinato por um militar extremista colocou o Egito no túnel do tempo de sua longa História: assim como ele sucedeu a Nasser, foi a vez do prestigiado general da Força Aérea Hosni Mubarak, após seis anos como seu vice, chegar à Presidência. Fatores como pobreza, desemprego, inflação e corrupção já haviam se tornado endêmicos e profundamente enraizados na sociedade egípcia nos anos 80. O início da Era Mubarak teve, no entanto, um lampejo de esperança à população: após 11 anos expulso da Liga Árabe em represália ao acordo com Israel, o Egito de Mubarak voltou à entidade. Participou da intervenção norte-americana para forçar a retirada das tropas de Saddam Hussein do Kuwait, na Guerra do Golfo, em 1991 ? ganhando, em troca, o perdão de uma dívida externa estimada em US$ 14 bilhões. Mas, aliou-se aos EUA e estendeu várias vezes o estado de emergência, em vigor desde 1967. Dizimou a oposição. Calou com pulso forte quem se opusesse a ele ? e só.