Internacional
Tsunami arrasa costa do Jap�o
Pequim, China ? O pior terremoto já registrado na história do Japão atingiu ontem a costa nordeste do país, deixando centenas de mortos, criando um enorme tsunami no Pacífico e provocando danos em usinas nucleares. Ondas de 12 metros arrasaram casas, carros, barcos e plantações como se fossem maquetes. O abalo de 8,9 graus na escala Richter ocorreu por volta das 14h46 locais (2h46 em Brasília) e devastou principalmente a cidade portuária de Sendai (1 milhão de habitantes, a 300km de Tóquio) onde, segundo relatos não oficiais, 300 corpos já haviam sido resgatados até a noite de ontem. Foram registrados ao menos 70 tremores posteriores ? um deles, de 7,4, suficiente para provocar mais estragos. Ao longo do dia, surgiram relatos de risco de vazamento em usinas nucleares. Em uma delas, em Fukushima, no nordeste do país, foi detectada radioatividade mil vezes superior à normal após o sistema de refrigeração falhar, devido ao terremoto. Um alerta de emergência oficial foi emitido para a usina, e um vapor levemente radioativo ? que, segundo as autoridades, não é prejudicial aos seres humanos ? deve ser liberado para tentar aliviar a pressão no reator. Área atingida é uma das mais pobres do país | EWERTHON TOBACE - ROBERTO MAXWELL / Folhapress Tóquio, Japão ? O terremoto mais forte já registrado no Japão atingiu uma das regiões mais pobres do país. Tohoku, que quer dizer ?nordeste?, é formada por seis províncias: Aomori, Akita, Iwate, Fukushima, Yamagata e Miyagi, cuja capital é Sendai, o local mais próximo do epicentro do tremor. Na região ? que tem uma área de quase 67 mil km², equivalente à soma de Espírito Santo e Sergipe ?, vivem cerca de 9,4 milhões de habitantes. Com economia baseada na agricultura, Tohoku é alvo de projetos de industrialização do governo japonês desde os anos 1960. Na época, foram implantadas indústrias metalúrgicas, químicas e de cimentos, como forma de aquecer a economia local e estancar o êxodo rural. Porém a região ainda é conhecida como o ?celeiro do Japão? por produzir boa parte dos alimentos que são consumidos no país. De Tohoku saem 20% de todo o arroz colhido no Japão, além de frutas, legumes e pescados. Brasileiros buscam familiares | FOLHAPRESS A estudante japonesa Kaori Ogasawa, 29 anos, é de Sendai, capital da província de Miyagui, a mais castigada pelo terremoto. Há 11 meses, a jovem vive em São Paulo. Estuda português no bairro da Liberdade (centro da cidade). Ontem, apesar da tragédia, Kaori sorria, tranquila. ?Consegui falar por telefone com meu irmão Hiroshi. Todos os familiares estão bem?. ?É claro que estamos assustados, mas terremotos não são novidade para nós. Sendai sempre tem tremores. Já vi várias casas caindo?. Na sede da Associação Miyagui do Brasil, que reúne imigrantes da província, o presidente Koichi Nakazawa, 67, acompanhava pela televisão e pela internet a situação dos conterrâneos. Fenômeno só pode ser diagnosticado | SABINE RIGHETTI - LUIZ GUSTAVO CRISTINO / Folhapress Que o Japão é um país vulnerável a terremotos já se sabe. Mas prever quando eles podem acontecer ainda é um grande desafio. ?A previsão de terremotos é muito limitada. Não conhecemos o suficiente as placas tectônicas?, afirma o geofísico Afonso Lopes, do IAG (Instituto de Geofísica, Astronomia e Ciências Atmosféricas), da USP. Mas levantamentos estatísticos, com dados históricos de terremotos, podem indicar a chance de haver um sismo em certa região. Além disso, ?é possível analisar alguns sinais momentos antes dos grandes terremotos?, explica a sismóloga Tereza Higashi Yamabe, da Unesp (Universidade Estadual Paulista). Por exemplo: tremores localizados, liberação de gases, animais saindo do chão (como cobras) e elevação do solo (como um bolo no forno). O Japão, que possui tecnologia para detectar esses sinais, aciona rapidamente um alerta à população na suspeita de terremoto. Tenista alagoano sobrevive e relata momentos de medo | MARCOS RODRIGUES - Repórter Um susto. Foi como definiu o pai do tenista Tiago Fernandes, o empresário Luiz Henrique Fernandes, ao falar da repercussão do terremoto que atingiu o Japão, onde o filho disputava uma etapa do challenger de Kyoto. Pelo menos por quatro horas, depois que soube dos efeitos devastadores, ele ficou sem comunicação com o filho. ?Quando acordei fui para o trabalho, normalmente, sem saber de nada. Foi então que meu outro filho me ligou e deu detalhes do estava acontecendo. Ficamos um pouco apreensivos, mas não tinha muito o que fazer, já que a comunicação que tínhamos com ele vinha sendo feita pela internet?, comentou Luiz Henrique. Somente depois desse tempo é que o próprio Tiago entrou em contato e disse que estava bem. Até onde se sabe, Tiago era o único alagoano a ser testemunha dos efeitos do tremor de terra no país.