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Mudan�as na S�ria ter�o maior impacto

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Quase uma reviravolta irônica. Jornais libaneses brincavam, na semana passada, com as queixas do governo sírio ? segundo as quais o Líbano estaria interferindo em suas questões internas. Historicamente os maiores influenciados pelas manobras sírias, os libaneses vêm acompanhando apreensivos as mazelas dos vizinhos. Com tensões sectárias mais uma vez expostas, em Beirute o grupo xiita Hezbollah culpa os rivais do bloco pró-Ocidente 14 de Março por fornecer armamento a opositores do presidente sírio, Bashar al-Assad. Já o 14 de Março, liderado pelo ex-premier libanês Saad Hariri, acusa o Hezbollah de ter ajudado na dura repressão aos protestos de Deraa, onde começaram os primeiros sinais de turbulência na Síria. Por sua vez, os Estados Unidos vêm emitindo advertências a Assad, enquanto a Arábia Saudita correu para oferecer apoio ao presidente sírio. Já em Teerã, o governo iraniano ? que vinha se posicionando favoravelmente aos movimentos antiditadura em Egito, Tunísia, Iêmen e Bahrein ? se calou diante da instabilidade no seu maior aliado árabe, o único a apoiar o Irã na guerra com o Iraque, na década de 80. Primo do ditador luta pela democracia Aos 36 anos, Ribal al-Assad tem a mesma jovialidade do primo, o presidente Bashar al-Assad. Filho de Rifaat, tio mais novo do ditador sírio e um dos maiores opositores ao regime, ele mantém, em Londres, a Organização pela Democracia e Liberdade na Síria. As promessas de reforma feitas na semana passada, sobretudo a de levantar o estado de emergência, são críveis? Ribal al-Assad ? Não dá para continuar usando velhos slogans. As pessoas têm TV a cabo, internet, celulares. Não dá para dizer que a Síria vive em estado de emergência por estar em estado de guerra. Não temos uma guerra desde 1973. Bashar não tem mais escolha. Por que não há manifestações gigantes como no Cairo ou em Túnis? A única coisa que ainda impede isso é o medo de que alguém, algum movimento islâmico, se apodere das demandas de manifestantes pacíficos e dissemine tensões sectárias. Se isso ocorrer, será um perigo. Em Deraa, os protestos foram pacíficos. Houve a repressão violenta do governo, que é inaceitável. Em Latakia, no entanto, soube que 81 policiais foram esfaqueados, e não por gente da comunidade. Temos que ter muito cuidado. Há imãs nas mesquitas tomando partido, e muita gente está aproveitando os protestos civis para explorar a questão religiosa e sectária. Se houver convulsão sectária, há, inclusive nas forças de segurança, gente que não vai hesitar em pedir ajuda ao Irã, alegando uma guerra sectária. Isso é assustador. Há informações de gente falando persa nos confrontos em Latakia. Isso seria um desastre no país!

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