Internacional
Iraque desenvolve bomba at�mica com ur�nio brasileiro, diz cientista
Grã Bretanha e Nova Iorque ? Um cientista iraquiano dissidente afirmou que o Iraque pode ter condições de fabricar a bomba atômica dentro de alguns meses, usando centrífugas com tecnologia alemã pirateada e urânio contrabandeado do Brasil, segundo a edição de ontem do jornal britânico ?The Times?. Khidir Hamza, que foi conselheiro do programa iraquiano de energia atômica e mais tarde ajudou a desenvolver o programa da bomba atômica até desertar, em 1994, acha que o regime de Saddam Hussein conseguiu copiar uma centrífuga alemã e usá-la para enriquecer urânio, elemento usado nas bombas. Ele não disse como o urânio brasileiro chegaria ao país. A centrífuga alemã foi desmantelada pelos inspetores de armas da ONU (Organização das Nações Unidas) antes que eles deixassem o Iraque, em 1998. Mas Hamza disse ao ?Times? que os cientistas locais estudaram seu funcionamento e conseguiram fazer cópias. ?Fizemos vídeos de sua montagem, por isso podíamos construir outras idênticas. Quando os inspetores levaram a original embora já tínhamos o know-how. Acho que deve haver centenas de cópias hoje.? Citando ?especialistas?, o jornal diz que a centrífuga levaria entre quatro e sete anos para produzir material radiativo suficiente para uma bomba. Segundo Hamza, essa operação deve ter começado quando os inspetores deixaram o Iraque, ou mesmo um pouco antes. O respeitado Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, com sede em Londres, afirmou neste mês que o Iraque poderia construir uma bomba atômica em poucos meses, caso recebesse o combustível do Exterior. Mas, na reportagem do ?Times?, Hamza ressaltou que o instituto ?perdeu alguns truques? de Saddam, que agora poderia construir a arma nuclear por conta própria. Especialistas independentes não foram localizados para comentar as declarações. Recuo O chanceler iraquiano, Naji Sabri, entregou ontem uma carta ao secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, na qual aceita o retorno dos inspetores de armas da entidade. ?Confirmo aos senhores que recebi uma carta das autoridades iraquianas comunicando sua decisão de permitir o retorno incondicional dos inspetores para que eles continuem seu trabalho?, disse o secretário-geral. Os iraquianos também concordaram em ?começar discussões imediatas para combinar o retorno dos inspetores?. Annan transmitiria a carta para o embaixador búlgaro, atual presidente do Conselho de Segurança da ONU, acrescentou o porta-voz. Segundo o porta-voz de Annan, Stephane Dujarric, o chanceler estava acompanhado pelo secretário-geral da Liga Árabe, Amr Musa. Sabri teria dito que entregou ?boas notícias? de seu governo ao secretário-geral. O consentimento já era dado como certo por ministros árabes e europeus que se reuniram com Sabri durante a sessão anual da Assembléia Geral das Nações Unidas, que acontece em Nova Iorque. Segundo a rede de televisão CNN, na carta o governo iraquiano diz aceitar a inspeção ?imediatamente e sem condições?. Os inspetores deixaram o país árabe em 1998, antes de um bombardeio norte-americano e britânico, e desde então não tiveram permissão para voltarem. Na semana passada, o presidente norte-americano George W. Bush deu um ultimato ao seu colega iraquiano, Saddam Hussein, para que aceitasse as condições do Conselho de Segurança, sob pena de ser atacado pelos Estados Unidos.