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42 anos de ditadura e a tarefa da reconstru��o

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Reconstruir, do marco zero, instituições de Estado aniquiladas por 42 anos de ditadura será a principal tarefa do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia. Mas não só. Do lado de fora, estão a pressão e o assédio de empresas europeias ? e até brasileiras ? para assegurar milionários contratos nas áreas de petróleo e construção civil no país norte-africano. Internamente, no vasto, desértico e pouco populoso território líbio, estão à espreita do novo governo os velhos focos de tensão que afligiam Muammar Gaddafi: divisões tribais e o risco da militância islâmica jihadista. Antes mesmo da captura, a festejada queda do ditador ameaça balançar o mais sólido pilar que uniu milhares de líbios, dos mais variados espectros, ao CNT ? o ódio à figura do tirano que enriqueceu ao oprimi-los. Na falta do ideal anti-Gaddafi, caberá aos rebeldes cumprir as promessas de criar um mecanismo administrativo capaz de dar voz à toda a sociedade. Nada fácil num país onde há cerca de 140 tribos e onde, até a independência, em 1951, havia três províncias ? Cyrenaica, Tripolitania e Fezzan ? que davam ao cidadão uma identidade regional, lado a lado à tribal e ao clã ao qual cada um pertencia.

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