Internacional
Muammar Gaddafi � linchado e morto
Muammar Gaddafi, 69 anos, ditador da Líbia por mais de 42 anos, foi morto ontem durante o cerco das forças insurgentes a Sirte, sua terra natal e último bastião das forças leais a seu governo. Desaparecido desde 23 de agosto ? quando os insurgentes tomaram a capital líbia, Trípoli, em um conflito que se arrastava desde fevereiro ?, Gaddafi era o mais longevo dos ditadores no poder em todo o mundo. Sua morte é mais um dos marcos da Primavera Árabe, série de revoltas que, desde janeiro deste ano, derrubou os ditadores da Tunísia e do Egito e provocou turbulências em outros países, como a Síria. Relatos não confirmados até às 21 horas de ontem, dão conta de que um dos oito filhos de Gaddafi, Mutassim, também teria sido morto, e outro, Saif al Islam, estaria preso. ?Todo o mal foi banido do nosso amado país?, disse Mahmoud Jibril, premiê do Conselho Nacional de Transição, que governa interinamente a Líbia. Legalidade é controversa | LUCIANA COELHO - Folhapress Washington, EUA ? Festejos à parte, o sucesso da missão militar ocidental na Líbia é tão frágil quanto o mandado que a embasou, alertam cientistas políticos. ?É um sucesso restrito diante do desafio pela frente?, disse Leslie Gelb, presidente emérito do Council on Foreign Relations. ?Agora está todo mundo se sentindo bem com a morte de Gaddafi. Vamos ver em um ano se o país virará um porto seguro para a oposição antiocidente ou, por milagre, uma democracia?. O Conselho Nacional de Transição é amplamente visto como um balaio de gatos pelos analistas ? embora parte deles defenda que a amplitude legitime o grupo. Mas estudiosos como Gelb temem que, uma vez no poder, essas facções entrem em atrito. ?Não sabemos quem são esses caras que apoiamos. Só vamos conhecê-los, talvez, quando começarem a brigar, a se matar?, afirmou. ?A história não dá exemplos de revoltas sangrentas que culminam em democracias?. Em Brasília, líbios festejam | CAROLINA SARRES - Folhapress Brasília, DF ? A comunidade líbia comemorou, em Brasília, o anúncio da morte de Muammar Gaddafi. Entre 20 e 25 pessoas se reuniram na embaixada do país para confraternizarem. Estiveram presentes diplomatas, líbios que moram no Brasil e estrangeiros de outros países que se solidarizaram com a causa. Os líbios celebraram a ocasião queimando fotografias de Gaddafi e exemplares do Livro Verde ? obra da autoria do ex-ditador, publicada em 1975, em que defende suas posições políticas. No mastro da embaixada, está erguida a bandeira original da independência da Líbia [de 1951]; hoje, identificada como a bandeira do Conselho Nacional de Transição (CNT). Quando tomou o poder, em 1969, Muammar Gaddafi trocou o símbolo nacional [das cores vermelho, preto e verde; com o símbolo islâmico no centro] pela bandeira das cores vermelho, branco e preto. Cameron lembra vítimas de atentado de Lockerbie | FOLHAPRESS O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse que esta quinta-feira, dia da morte do ex-ditador líbio, Muammar Gaddafi, é uma ocasião para se ?lembrar de todas as vítimas de sua brutal ditadura?. Em breve declaração diante de sua residência oficial, Cameron lembrou o atentado de Lockerbie, na Escócia, em 1988; o assassinato do policial Yvonee Fletcher, em 1984, em Londres; e as mortes causadas pelo Exército Republicano Irlandês (IRA), organização terrorista que deixou de operar e que recebeu durante anos um tipo de explosivo fornecido pelo regime líbio. ?A população da Líbia tem uma grande oportunidade de construir um futuro forte e democrático?, afirmou o chefe de governo britânico, que assegurou que o Reino Unido ajudará o país árabe. Obama celebra; Dilma nega festa | LUCIANA COELHO - ANA FLOR / Folhapress Washington, EUA, e Luanda, Angola ? O presidente do EUA, Barack Obama, celebrou ontem o fim ?definitivo? do regime de Muammar Gaddafi em discurso curto e com ecos da retórica neoconservadora de seu antecessor, George Bush. Obama usou termos como ?libertação da tirania? e ?punho de aços?. Ele ressaltou o papel central da Força Aérea norte-americana na operação. ?Nossa liderança na Otan ajudou a guiar nossa coalizão. Sem colocar um único militar norte-americano em solo, conquistamos nossos objetivos, e logo nossa missão estará encerrada?. Analistas avaliam que, sem os EUA, a ?zona de exclusão aérea? ? com bombardeios às forças de Gaddafi ? não teria sido tão efetiva.