Internacional
Pessimistas, espanh�is v�o �s urnas hoje
Madri, Espanha ? Os espanhóis viram nos últimos três anos seus níveis de riqueza e perspectivas de futuro despencarem. Entre o pessimismo de muitos, o inconformismo de uns e a apatia de outros, os eleitores sabem que o pleito deste domingo não se traduzirá em cinco milhões de postos de trabalho, o atual número de desempregados, o maior patamar da União Europeia. Mas sabem também que o precipício apareceu em pleno governo socialista e que o timoneiro deste, José Luis Rodríguez Zapatero, tentou colocar panos quentes, negando por meses uma crise que já existia. A insatisfação do povo custou caro à esquerda espanhola, desenhando um quadro eleitoral passível de poucas surpresas nessas eleições gerais. Todas as pesquisas apontam para uma vitória esmagadora do Partido Popular (PP). E seu líder, Mariano Rajoy, já avisou que, uma vez na Presidência do Governo, a tesoura dos conservadores cortará de tudo, exceto as aposentadorias. A contenção das despesas públicas, no entanto, não é a única coisa que vai mudar na Espanha que emerge das urnas hoje. Partido de Zapatero fica na geladeira O panorama eleitoral que se desenha dará aos conservadores poder suficiente para aprovar as leis que quiserem, diz o catedrático de Ciências Políticas Cesario Rodríguez Aguilera, autor de livros como A crise do Estado socialista. No âmbito socioeconômico, no entanto, o PP terá que seguir as políticas que a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu exigem. Ou seja, mais austeridade, mais ajustes. Saúde e educação, que têm sido alvo de crescente privatização em regiões governadas pelo PP, são apontadas como os primeiros alvos dos cortes orçamentários.