Internacional
Corte rejeita a volta do Parlamento eg�pcio
Jerusalém, Israel ? A Suprema Corte Constitucional do Egito reiterou, ontem, que mantém a decisão de dissolver o Parlamento, rejeitando o decreto emitido na mesma data pelo presidente Mohamed Mursi para a restauração do Legislativo. O choque entre poderes, antes de Mursi completar dez dias no cargo, confirma a previsão de turbulência nas relações entre o presidente islamita e os militares. País mais populoso do mundo árabe (80,4 milhões), o Egito completa 17 meses da queda do ditador Hosni Mubarak mergulhado num vácuo legal, sem Constituição e com dois Legislativos. Mursi tomou posse afirmando que lutaria contra a dissolução do Parlamento, de maioria islamita, ordenada pela Justiça na véspera da eleição presidencial. A junta militar assumiu as funções legislativas, mas o ato não foi reconhecido pela Irmandade Muçulmana, que controla quase metade do Parlamento. Dias depois, os generais assumiram, por decreto, poderes do presidente, completando o que os opositores classificaram como golpe. PRESSÃO Mais organizado grupo político do Egito, a Irmandade manteve a pressão após conquistar a Presidência, com um protesto permanente na Praça Tahrir. O desafio de Mursi foi rechaçado hoje num anúncio veiculado pela TV estatal em que o tribunal afirma que a ordem de dissolver o Parlamento é inapelável. No coração da disputa está a nova Constituição. O presidente tenta restaurar o Parlamento para impedir que os militares controlem a redação da nova Carta. É ela que vai definir não só o caráter do Estado pós-Mubarak, mas o sistema de governo, ou seja, os poderes do presidente e dos militares. ?