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Nº 5717
Internacional

Drama de Moscou termina com 118 ref�ns e 50 rebeldes mortos

Moscou – Apenas um dos mais de 800 reféns do comando checheno morreu em decorrência de ferimento causado por arma de fogo, anunciou, ontem, uma autoridade médica russa. As outras 117 vítimas podem ter sido envenenadas por um gás usado pelas forças de segu

Por | Edição do dia 28/10/2002 - Matéria atualizada em 28/10/2002 às 00h00

Moscou – Apenas um dos mais de 800 reféns do comando checheno morreu em decorrência de ferimento causado por arma de fogo, anunciou, ontem, uma autoridade médica russa. As outras 117 vítimas podem ter sido envenenadas por um gás usado pelas forças de segurança da Rússia para agir contra os rebeldes que ocupavam um teatro de Moscou desde a noite da última quarta-feira, ameaçando explodir o local e matar todos os reféns. Ao todo, morreram 168 pessoas, entre reféns e guerrilheiros. O drama terminou na madrugada de sábado, quando tropas de elite russa invadiram o teatro. A operação, inicialmente classificada como um sucesso por líderes mundiais como George W. Bush, passou a ser considerada uma tragédia, ao ser constatado que o gás usado pelas forças de segurança pode ter matado não apenas os 50 seqüestradores, mas também mais de cem reféns. “Das 118 vítimas fatais, uma foi morta a tiro”, afirmou Andrei Seltsovsky, presidente da comissão de Saúde da cidade de Moscou. Ainda há 646 reféns hospitalizados, entre os quais 150 são atendidos pelos serviços de reanimação – 45 em estado grave –, segundo informações da agência Interfax. O Kremlin não comentou hoje uma reportagem de televisão afirmando que as forças especiais russas mataram os reféns ao invadir o prédio do teatro, na madrugada de sábado, com o potente gás sonífero. O canal NTV informou que dois reféns estrangeiros, um cidadão da Holanda e outro do Cazaquistão, morreram envenenados pelo gás, mas a notícia não foi confirmada oficialmente. O produto químico não identificado era tão poderoso que os rebeldes chechenos não tiveram tempo de detonar os explosivos presos a seus corpos ou espalhados pelo teatro. O especialista em segurança Michael Yardley, de Londres, acredita que o gás fosse o BZ (bencilato de quinuclidinilo)- incolor, inodoro, incapacitante e com propriedades alucinógenas - empregado pela primeira vez pelos Estados Unidos no Vietnã. Yardley afirmou que os sintomas exibidos pelos reféns em Moscou: incapacidade para andar, perda de memória, desmaio, irregularidades nos batimentos cardíacos, náuseas apontavam para o BZ. De acordo com as Forças Armadas dos Estados Unidos, esses efeitos duram 60 horas, afirmou Yardley. O gás utilizado durante a operação no teatro é um entorpecente psicofísico, segundo explicou, ontem, Olivier Lepick, especialista em armas químicas e biológicas na fundação para a pesquisa estratégica. “Pode se tratar do BZ”, afirmou.

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