Internacional
Unicef prev� 25 milh�es de �rf�os da Aids no mundo at� o ano 2010
Windhoek (Namíbia) ? O mundo terá mais de 25 milhões de crianças que perderam os pais em decorrência da Aids até 2010, afirmou ontem o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que pediu mais ajuda para os ?órfãos do HIV?. A doença vai deixar milhões de crianças sem pais nos próximos anos na pior crise de orfandande da história da humanidade, disse Carol Bellamy, diretora-executiva do Unicef. O Unicef estima que 3 milhões de crianças tenham o vírus da Aids e que 13,4 milhões com menos de 15 anos ? a maioria na África Subsaariana ? perderam um ou ambos os pais devido à doença. ?Essa lista em breve vai contar com milhões de outras crianças que vivem atualmente com pais doentes e à beira da morte. Até 2010, o número total de órfãos do HIV/Aids provavelmente vai dobrar e chegar a 25 milhões?, afirmou Bellamy, em Windhoek, capital da Namíbia. De acordo com ela, a doença dos pais deixa as crianças estigmatizadas, subnutridas, sem educação e prejudicadas psicologicamente. ?Elas são afetadas por ações que não podem controlar e não têm culpa. Elas lidam com os piores traumas, ameaças de perigo e são as menos protegidas. E, por causa disso, elas ficam mais propensas a também adquirir o vírus.? Mulheres A Aids, que começou como uma misteriosa infecção entre homossexuais brancos e em duas décadas se tornou a mais dramática epidemia na história da humanidade, está hoje afligindo homens e mulheres igualmente. A constatação é do mais recente relatório do programa conjunto das Nações Unidas para a Aids, (Unaids). ?Para mim, o mais chocante é que, pela primeira vez, as mulheres vão corresponder a 50% da epidemia global?, disse o diretor-geral da Unaids, Peter Piot. ?Na África Subsaariana, 58% de todos os infectados são mulheres. O rosto da Aids está se tornando o rosto das mulheres jovens.? Desde que foi descoberta, a Aids já matou 25 milhões de pessoas. Ao longo de 2002, 3,1 milhão de pessoas morrerão da doença. Cinco milhões terão contraído o vírus de janeiro até dezembro. Dos 42 milhões de pessoas infectadas até o fim do ano, 38,6 milhões serão adultos, e 19,2 milhões destes, mulheres. Dos novos infectados de 2002, 2 milhões são mulheres. A mudança na dinâmica da epidemia significa que a proporção de recém-nascidos infectados ? contaminados pelas próprias mães ? ameaça crescer. Também significa que mulheres ? que tradicionalmente vinham cuidando de maridos, pais e irmãos doentes ? estão agora sucumbindo à epidemia, o que tende a desestruturar ainda mais as sociedades mais afetadas. Fome A epidemia da Aids está intensificando outros desastres, principalmente no sul da África, região mais afetada pela epidemia. ?Ela exacerbou a crise de alimentos. Isso é novo. Acho que estamos começando a ver os impacto reais da Aids em países que estão sendo fortemente afetados pela epidemia?, afirmou Piot. Seca e fome não novos na África, mas em países onde um quarto ou um terço da população está doente, a Aids tem intensificado esses problemas. ?Agora é muito pior porque a produção agrícola caiu devido à Aids, e demanda nutricional de comunidades inteiras tem aumentado porque as pessoas estão doentes e precisam de mais comida?, concluiu. O relatório da Unaids mostra que a África, com 29,4 milhões de pessoas com o vírus HIV, é a região mais afetada pela Aids no mundo. No Leste Europeu e na Ásia Central, com 1,2 milhão de casos, a epidemia cresce mais rapidamente. A Ásia, especificamente China e Índia, é considerada uma ?bomba-relógio?.