Internacional
CHARLIE HEBDO SE ESGOTA NA FRAN�A ANTES DE SOL NASCER
Paris - Dezenas de pessoas amanhecem, ontem, na fila de uma banca de jornal em Paris. O céu ainda está escuro, o relógio marca 5h30 e o dono da banca chega para abri-la às 6h30, assustado com a multidão. Como já imagina o motivo, logo avisaria: para evitar confusão, só venderá um exemplar do ?Charlie Hebdo? por pessoa. Uma mulher tenta furar a fila e toma vaia. Outro, disfarçadamente, pede cinco jornais na hora de pagar, mas ouve um ?não? sonoro do outro lado do balcão. A advogada Alaína Varasse, 26, desiste de esperar. O policial Miguel Richard, 26, e o estudante vietnamita Leduc Nghi, 27, ficam firmes e são dos primeiros a comprar a edição 1.178 do semanário. Em 10 minutos, todo o estoque acaba e quem quer adquirir mais ou ficou sem o seu começa uma corrida maluca pelas bancas próximas. A reportagem presenciou essa cena em pelo menos cinco bancas na região da praça da Bastilha -duas, mais generosas, permitiam a compra de dois jornais por cliente. Por volta das 7h, não havia mais exemplar. Tudo esgotado. O sol nem havia nascido e já sumira a histórica primeira edição do ?Charlie Hebdo? após o ataque terrorista que matou 12 pessoas na sede do jornal (oito delas funcionários) no dia 7 de janeiro.