Internacional
Imigrantes criam cidade paralela na Fran�a
Calais, França - Quem chega ao centro da cidade portuária de Calais, no extremo norte da França, não tem a percepção de que a cidade representa hoje um drama imigratório que assusta a Europa. Calais toca sua vida com restaurantes, lojas e hotéis sem sinal da recente confusão de imigrantes que tentam passar para o Reino Unido pelo Eurotúnel, que faz a ligação entre os dois países pelo canal da Mancha. Basta percorrer cerca de cinco quilômetros, no entanto, para se deparar com o subúrbio miserável de barracas montadas em uma mata rasa à beira das rodovias que dão acesso ao túnel. É uma ?Calais paralela?, marginalizada dos que vivem de fato na cidade. Os acampamentos são apelidados de ?jungles? (selvas, em inglês). Estima-se que vivam ali cerca de 5.000 pessoas, em sua maioria homens, que deixaram países na África e na Ásia para chegar à Europa por terra (via Turquia) ou pelo mar Mediterrâneo. As primeiras barracas começaram a surgir ainda no fim dos anos 90, mas o modelo atual de moradia se consolidou em 2002. A reportagem visitou os dois principais ?jungles?, marcados por muita poeira e pouca higiene. Além das barracas, há uma farmácia, uma loja de bebidas, uma mesquita e uma igreja improvisadas, tudo debaixo de lona. Voluntários prestam assistência médica numa enfermaria. Todo dia às 12h, dezenas de imigrantes se amontoam na portaria de um centro comunitário para tomarem banho. É quando recebem uma refeição. Esse espaço foi reformado pelo governo francês, que diz ter gastado ? 3 milhões (R$ 11,28 milhões) no local -visitantes, como jornalistas, são proibidos de conhecê-lo por dentro.