loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 23/07/2026 | Ano | Nº 6273
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Internacional

Internacional

Powell mostra na ONU “provas” contra Iraque

Ouvir
Compartilhar

Washington ? Em um discurso para tentar convencer o mundo de que uso da força no Iraque poderá ser necessário em pouco tempo, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, apresentou à Organização das Nações Unidas (ONU), ontem, fitas de áudio e imagens de satélite que, segundo ele, provam que o Iraque desobedece as Nações Unidas. Após o encerramento da reunião do Conselho de Segurança, porta-vozes do chanceler iraquiano, Naji Sabri, anunciaram que Bagdá enviará à ONU ?uma resposta detalhada e global a todas as mentiras? apresentadas por Powell. Em sua apresentação ao Conselho de Segurança da ONU, Powell incluiu fotos de satélites-espiões norte-americanos, interceptações telefônicas e declarações de desertores iraquianos. Ele acusou o Iraque de ter ocultado equipamentos de um suposto programa de armas para despistar os inspetores da ONU que vasculhavam o país em busca de provas de armas químicas, biológicas e nucleares. O secretário norte-americano ressaltou que o Iraque estava em condição de ?violação material? das resoluções da ONU, que exigem o desarmamento do país, e disse que agora a nação árabe corre perigo de sofrer ?sérias consequências? ? em linguagem diplomática, indica uma possível invasão militar liderada pelos Estados Unidos. Durante o discurso, outro país que Washington acusa de desenvolver um programa de armas de destruição em massa, a Coréia do Norte, divulgou uma nota desafiadora sobre seus planos nucleares. Um parlamentar do Iraque classificou o discurso como ?mentira e invenção?. França, China e Rússia, que têm poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, defenderam uma ampliação do trabalho dos inspetores de armas. Para a França, uma ação militar deve ser apenas o último recurso. ?Dada a escolha entre uma intervenção militar e um regime de inspeções que é inadequado por causa de uma falha da parte do Iraque em cooperar, nós devemos escolher o reforço decisivo dos termos de inspeção?, disse o chanceler francês, Dominique de Villepin, ao Conselho. A Rússia defendeu que as informações apresentadas por Powell devem ser verificadas pelos inspetores e a China pediu mais tempo às inspeções. ?Retiramos tudo? ?Nós temos esse veículo modificado... O que nós diremos se um deles vê-lo??, disse um homem em uma fita de áudio, que segundo Powell é a voz de um coronel iraquiano. ?Você não teve um (veículo) modificado... você não tem um modificado?, retrucou alguém que o secretário americano diz ser um general. ?Eu o verei amanhã. Estou preocupado. Vocês todos deixaram algo para trás?. ?Nós retiramos tudo. Nós não deixamos nada para trás?, disse o oficial. ?Esse esforço para esconder coisas dos inspetores não é um evento ou outro isolado, bem pelo contrário. Essa é uma parte e uma parcela de uma política de evasão e logro que remontam há 12 anos, uma política estabelecida nos níveis mais altos do regime iraquiano?, disse Powell. ?Eu acredito que o Iraque está agora em uma maior violação material de suas obrigações e se colocou em risco de sofrer sérias consequências?, prosseguiu o secretário norte-americano. Embora nenhum dos membros do Conselho de Segurança da ONU acredite que o Iraque tenha oferecido sua cooperação irrestrita aos inspetores de armas da ONU que buscam no país programas de armas nucleares, químicas e biológicas, muitos acreditam que eles merecem mais tempo. Esse ponto de vista bate de frente com o do presidente norte-americano, George W.Bush, que afirma que Bagdá tem semanas, não meses, para se submeter à vontade da Organização das Nações Unidas e desistir de suas armas suspeitas, se não quiser enfrentar uma campanha militar liderada pelos EUA. ?Comédia? O Iraque negou as acusações feitas por Colin Powell, no Conselho de Segurança da ONU, chamando-as de falsas e pouco fundamentadas. ?O Iraque fornecerá uma resposta detalhada e técnica às alegações de Powell?, disse o embaixador iraquiano na ONU, Mohamed al Douri. Segundo ele, a apresentação de Powell pretendia vender a idéia de uma guerra contra o Iraque que não tem justificativa legal ou moral. O embaixador também negou de forma enfática que o Iraque tenha vínculos com Osama bin Laden ou com a rede terrorista Al Qaeda, como afirmou Powell. Enquanto isso, o comentarista político da televisão por satélite iraquiana qualificou de ?comédia? o discurso de Powell. ?A opinião pública internacional (...) não encontrará [o discurso de Powell]nada mais que uma comédia?, declarou o comentarista da televisão, cujo sinal é captado em Dubai (Emirados Árabes) na primeira reação iraquiana ao discurso do secretário norte-americano. ?O jogo ?do pequeno? Bush, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, nada mais é do que uma torpe tentativa de repetir as mentiras que têm como objetivos induzir a opinião pública mundial ao erro e criar desculpas para uma guerra contra o Iraque?, acrescentou. ?A administração do mal (norte-americana) tenta pressionar o Conselho de Segurança para que o mesmo adote outra resolução que autorize uma agressão ao Iraque?, afirmou. +++ Discurso convence os países do leste europeu Washington e Montevidéu ?Após o discurso de Powell dez países do leste europeu apoiaram a proposta dos Estados Unidos de desarmar o Iraque disseram que haviam se convencido pelas ?fortes evidências? mostradas por Washington. ?O claro e atual perigo imposto pelo regime de Saddam Hussein requer uma resposta unida da comunidade de democracias?, afirmaram os 10 aspirantes à Otan (aliança militar liderada pelos Estados Unidos) por meio de um comunicado divulgado em Nova Iorque os países ex-comunistas. A declaração destaca o forte apoio aos Estados Unidos em países do antigo Pacto de Varsóvia, que ainda se sentem gratos pelo apoio norte-americano em sua luta para escapar da dominação soviética e pelo apoio de Washington por suas candidaturas à Otan. ?Nossos países compreendem os perigos impostos pela tirania e pela responsabilidade especial de democracias para defender nossos valores divididos?, disse o comunicado dos 10 ministros das Relações Exteriores. Reservas Membros do Conselho de Segurança da ONU reagiram com reservas ao discurso de Colin Powell. Powell. ?Por enquanto, o regime de inspeções favorecido pela resolução 1441 deve ser reforçado, já que não foi completamente explorado. O uso da força pode ser apenas um recurso final... se esta tática falhar e nos levar a um impasse, nós não descartaremos nenhuma opção, incluindo, como um último recurso, o uso da força, como estamos dizendo todo o tempo?, disse o ministro das Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin. Já o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov, declarou que ?O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve fazer tudo o que puder para apoiar o processo de inspeções... O ponto principal é que esta informação deve ser imediatamente entregue (aos inspetores) para processamento, incluindo verificação imediata no local?. Mercosul Reunidos em Montevidéu, no Uruguai, para tratar de assuntos do Mercosul, os chanceleres dos quatro países do bloco elaboraram ontem uma declaração comum na qual enfatizaram que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) é ?a única? instituição com legitimidade para autorizar o uso da força no Iraque. O recado diplomático deixou o claro sinal do Mercosul de desaprovação a qualquer iniciativa unilateral dos EUA de bombardear aquele país. O texto reitera posições que já vinham sendo defendidas, individualmente ou em conjunto, pelos governos dos quatro países do Mercosul no decorrer da crise entre os Estados Unidos e o Iraque. Em especial, ressalta o apoio à solução negociada e pacífica do conflito e à continuidade do trabalho dos inspetores da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no Iraque. Da mesma forma, reitera o repúdio do Mercosul ao terrorismo e às armas de destruição em massa.

Relacionadas