Internacional
Presidente do Paraguai escapa de impeachment no Senado
Assunção ? O Senado paraguaio rejeitou ontem o pedido de impeachment do presidente Luis González Macchi, que era acusado de corrupção e mau desempenho das funções. Para aprovar a destituição do presidente, eram necessários os votos de ao menos 30 dos 44 senadores, mas apenas 25 votaram a favor do impeachment. Outros 18 votaram contra, e um senador se absteve. A sessão foi iniciada às às 9h25 (10h25 em Brasília), mas os debates se estenderam até as 19h30 (20h30), quando terminou a votação. ?No próximo dia 15 de agosto o presidente Luis González Macchi entregará a faixa presidencial ao presidente eleito no dia 27 de abril?, declarou o advogado de defesa do presidente, Osvaldo Bergonzi, após a votação. A proximidade da eleição presidencial era considerada pelos analistas políticos como um dos principais fatores que pesavam contra a aprovação do impeachment de González Macchi. O presidente já afirmou que aceita entregar o poder antecipadamente, logo após a eleição presidencial, se houver um consenso en-tre os partidos. Após terem declarado durante a semana que já havia o apoio de mais do que os 30 senadores (de um total de 44) necessários para a aprovação do impeachment, adversários do presidente já admitiam à tarde que ?faltavam ainda três votos? para afastá-lo. Após oito horas de debates, mais de 30 senadores já haviam discursado na tribuna, mas somente cinco haviam defendido o presidente. Antes de iniciar a votação, o presidente do Congresso, Juan Car-los Galaverna, pertencente à mesma agremiação política (Partido Colorado) que o presidente, encerrou os debates afirmando que todos estavam ?convencidos de que Luis González Macchi é responsável por mau desempenho de funções e de corrupção na administração pública paraguaia?. O presidente paraguaio trabalhou normalmente ontem, enquanto esperava o resultado da votação. Ao chegar ao Palácio de Governo, pela manhã, disse que tinha ?uma grande esperança e a consciência limpa?. Ele disse, porém, que respeitaria a decisão do Senado. O presidente é acusado, entre outras coisas, pelo uso de um BMW roubado no Brasil, pelo desvio de US$ 16 milhões de dois bancos em liquidação para uma conta no exterior de uma fundação presidida por sua irmã e pelo espancamento de dois membros do partido esquerdista Patria Libre, em janeiro do ano passado.