Internacional
Argentina pagar� mais de US$ 4 bilh�es a fundos abutres
Buenos Aires ? Depois de quinze anos e uma longa batalha judicial, o governo argentino negociou acordo preliminar com os chamados fundos abutres ? aqueles que adquiriram títulos da dívida a preços baratos, após o calote de 2001, e entraram na Justiça para cobrar o valor devido sem desconto. O anúncio foi feito ontem, em Nova York, por Daniel Pollack, o mediador americano escolhido para facilitar o entendimento entre as partes. Segundo Pollack, a Argentina teria que pagar US$ 4,653 bilhões até o dia 14 de abril a quatro fundos de investimento. Ele qualificou o princípio de acordo como ?passo gigantesco? em um litígio que resultou na ameaça, para a Argentina, de ter seus bens embargados no exterior e no impedimento de o país de honrar seus compromissos com credores com os quais renegociou a dívida. Se for assinado, o acordo permitirá à Argentina voltar ao mercado financeiro internacional, do qual foi excluída depois de decretar a moratória da dívida de US$ 95 bilhões em 2001. Mal saiu da crise, graças em parte aos altos preços das commodities, o país pagou o que devia ao Fundo Monetário Internacional e renegociou a dívida com o Clube de Paris e com 93% dos credores. Mas uma minoria (7%) não aderiu às duas propostas de reestruturação que, em alguns casos, representou desconto de 65% do valor nominal. E um grupo de fundos de investimento, representando 1% dos detentores de papéis, entrou na Justiça de Nova York, ganhando o direito de cobrar a totalidade da dívida ? além dos juros acumulados. O governo anterior, da presidenta Cristina Kirchner, recorreu da sentença do juiz Thomas Griesa, perdeu e optou por não pagar, argumentando que violaria duas leis nacionais. Ambas impedem o país de oferecer melhores condições de pagamento à minoria dos credores que não aderiu às propostas de reestruturação em 2005 e 2010.