Internacional
EUA n�o descartam ataque nuclear contra Iraque
Washington ? O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, recusou-se, ontem, a descartar o uso de armas nucleares na possível guerra com o Iraque, mas lembrou que armas atômicas não são usadas em hostilidades desde 1945. ?Nossa política vem sendo, historicamente, a de que não evitaremos o uso de armas nucleares se formos atacados?, disse Rumsfeld em audiência no Comitê de Serviços Armados do Senado dos EUA. ?Estamos confiantes de poder fazer o que precisamos usando apenas nossas capacidades convencionais?, declarou Rumsfeld. Ele acrescentou que o país não descarta várias opções, mas disse que ?estas armas não foram disparadas em situações de fúria desde 1945?. Rumsfeld fez os comentários após o questionamento do senador democrata Edward Kennedy, de Massachusetts, que manifestou alarme pelo fato de o governo Bush poder estar considerando reduzir os limites para o possível uso de armas nucleares. Força destrutiva ?Como você bem entende, a arma nuclear não é apenas mais uma no arsenal. E até agora sempre as mantivemos afastadas por boas razões, por causa de sua enorme força destrutiva e do nosso profundo compromisso de fazer tudo para que jamais sejam usadas de novo?, disse Kennedy. ?O Departamento de Defesa tem a obrigação e as sucessivas administrações de ambos os partidos realizaram procedimentos sobre quando seria concebível usar armas nucleares? Sim?, disse Rumsfeld. Kennedy perguntou, então, se os Estados Unidos estão ?seriamente considerando o uso de qualquer arma nuclear contra o Iraque?. ?A única pessoa nos Estados Unidos que tem o poder de usar armas desta natureza é o presidente?, respondeu o secretário de Defesa. ?Me parece que se olharmos para o passado, passamos pela Guerra da Coréia, passamos pela Guerra do Vietnã, estamos passando pela guerra ao terror e não usamos armas nucleares. Isso deve dizer algo sobre os limites com respeito a armas nucleares?. ?Temos confiança de que no caso de uso da força no Iraque poderemos fazer o que precisa ser feito usando capacidades convencionais?, concluiu Rumsfeld. +++ Bush: tropas americanas estão prontas para possível guerra Washington ? O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou, ontem, a soldados norte-americanos, que está confiante de que eles estão prontos para ganhar uma potencial guerra contra o Iraque, e pediu que a Organização das Nações Unidas reforce os pedidos para que o presidente iraquiano, Saddam Hussein, se desarme. ?Se o uso da força se tornar necessário para desarmar o Iraque e as Nações Unidas reforçarem sua determinação, se o uso da força se tornar necessário para proteger nosso país e manter a paz, a América (Estados Unidos) agirá decisivamente, a América será vitoriosa com o maior Exército do mundo?, afirmou Bush a milhares de marinheiros e outras pessoas presentes na base naval de Jacksonville, na Flórida. O chefe de inspetores da ONU, Hans Blix, entregará hoje um relatório considerado por Washington um prelúdio para uma decisão final da ONU sobre o apoio à guerra. Nova resolução Os Estados Unidos estão solicitando uma nova resolução da ONU para reforçar uma anterior, aprovada em novembro do ano passado, que exige que o Iraque acabe com os programas de armas de destruição em massa. O Iraque nega possuir tais armas. Mas um impasse com a França e a Alemanha, membros do Conselho de Segurança da ONU, que querem mais tempo para que os inspetores realizem suas investigações, não mostra sinais de resolução. Os dois países, junto com outro membro do Conselho de Segurança, a Rússia, pediram que os inspetores tenham mais tempo para realizar seu trabalho. ?Agora a mais importante organização multilateral enfrenta uma decisão?, declarou Bush. ?A decisão para as Nações Unidas é esta: Quando você diz algo, o que isto significa? Você tem que decidir?, frisou. ?O Conselho de Segurança das Nações Unidas agora pode decidir se irá reforçar ou não suas resoluções. Eu estou otimista quanto ao Conselho de Segurança da ONU cumprir suas responsabilidades e, desta vez, determinar o que Saddam Hussein deve fazer?, reforçou o presidente. +++ Coreanos podem atacar EUA no mundo inteiro Pyongyang ? A Coréia do Norte informou, ontem, por meio de uma autoridade do Ministério das Relações Exteriores do país, Ri Kwang Hyok, que tem capacidade de atacar alvos americanos em qualquer lugar do mundo, se for provocada. O aviso norte-coreano ocorre um dia depois de a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) decidir levar seu caso ao Conselho de Segurança da ONU. ?Onde quer que eles estejam, podemos atacá-los?, afirmou Ri. ?Não há limite para nossa capacidade de atacar. A força do Exército do Povo Coreano pegará o inimigo onde quer que ele esteja?, acrescentou. Ri teria dito que a Coréia do Norte possui mísseis de longo alcance. ?Não sou especialista, então não tenho certeza, mas temos mísseis de longo alcance e nosso povo tem a capacidade de atingir inimigos bem distantes?, declarou. Na última quarta-feira, dois altos funcionários americanos declararam que a Coréia do Norte possui mísseis balísticos ainda não testados capazes de alcançar o oeste dos EUA. A afirmação foi feita ao comitê das Forças Armadas do Senado pelo vice-almirante Lowell Jacoby, diretor da Agência de Inteligência de Defesa, e depois confirmada pelo diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), George Tenet, que o acompanhava. Segundo Jacoby, o míssil norte-coreano é uma versão de três estágios do Taepo Dong 2. Relatórios da CIA haviam informado que um míssil desse tipo poderia levar uma carga do tamanho de uma arma nuclear através do oceano Pacífico.