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Inspetores dizem na ONU que n�o encontraram armas no Iraque

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Nova Iorque ? O chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, frustrou o governo norte-americano ao pedir mais tempo ao Conselho de Segurança, ontem, para obter esclarecimentos do Iraque. Blix disse que muitas armas e itens proibidos pela Organização das Nações Unidas têm paradeiro desconhecido. ?Muitas armas e itens proibidos não foram divulgados (pelo governo iraquiano)?, disse Blix na sede da ONU, em Nova Iorque. Blix revelou não ter encontrado armas de destruição em massa no Iraque, mas aguarda informações detalhadas sobre antraz, gás VX e mísseis de longa distância. Blix também confirmou que os mísseis Al Samoud 2 do Iraque excedem o alcance de 150 quilômetros de distância permitido pela ONU. Ele declarou ainda que o Iraque decidiu cooperar com o processo das inspeções, facilitando os acessos aos locais visitados, incluindo palácios presidenciais. ?Apesar de compreender que pode não ser fácil para o Iraque oferecer as provas necessárias em todos os casos, não é tarefa dos inspetores as encontrarem?, afirmou. ?O Iraque em si deve responder diretamente a essa tarefa e evitar subestimar as questões.? Conselho está dividido Os termos empregados por Hans Blix e pelo inspetor-chefe de monitoramento nuclear da ONU, Mohamed ElBaradei, na reunião do Conselho são cruciais para determinar se o órgão vai ampliar as inspeções de armas no Iraque ou apoiar os Estados Unidos e a Grã-Bretanha numa guerra. Formado por 15 países, o Conselho de Segurança da ONU está dividido quanto a uma nova guerra capitaneada pelos EUA no Golfo Pérsico. Para que uma nova resolução autorizando o uso da força contra o Iraque seja aprovada, são necessários nove votos. França, China, Rússia e Alemanha já se posicionaram contra um possível conflito armado. O principal aliado dos EUA em prol da guerra é a Grã-Bretanha. +++ Bagdá promete ?fazer todo o possível? para evitar a guerra Vaticano e Nova Iorque ? O vice-primeiro-ministro do Iraque, Tareq Aziz, disse ontem que Bagdá pretende oferecer aos inspetores de armas da ONU ?toda a ajuda necessária? para demonstrar que não tem armas de destruição em massa. No mesmo dia, o ditador iraquiano, Saddam Hussein, baixou um decreto em que bane a produção e a importação desse tipo de armas ?medida encarada com ceticismo por Washington. ?Vamos fazer todo o possível para ajudá-los (os inspetores) a chegar à verdade sobre a ausência de armas de destruição em massa?, afirmou Aziz. O vice-primeiro ministro iraquiano fez a declaração em Roma, depois que o chefe dos inspetores de armas da ONU, o sueco Hans Blix, apresentou um relatório sobre a cooperação do Iraque. O vice-premier rejeitou a ajuda da rede terrorista Al Qaeda caso haja uma ação militar liderada pelos EUA no Iraque. ?Não precisamos de nenhum apoio da Al Qaeda ou de qualquer outra fonte para defender nosso país. Nós temos homens e mulheres valentes em número suficiente entre os 25 milhões de iraquianos para defender nosso país?, disse. Aziz se reuniu ontem com o papa João Paulo 2º, que se opõe à guerra. O Vaticano pediu que o Iraque coopere com a ONU e disse que a reunião entre os dois teve como objetivo analisar ?o conhecido perigo de uma intervenção armada no Iraque, o que acrescentaria grave sofrimento para uma população que já experimenta longos anos de embargo?. Bush ameaça agir O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que não permitiria que a ONU colocasse o mundo em perigo por não conseguir fazer com que se cumpram suas próprias resoluções. Em um discurso para militares norte-americanos na base aérea de Newport, na Flórida, ele voltou a afirmar que se as Nações Unidas não agirem contra o Iraque, os Estados Unidos terão de fazê-lo. A pressão sobre os aliados europeus e árabes representa, mais do que a busca de legitimidade diplomática para o desencadeamento da guerra, a necessidade de buscar apoio financeiro para o conflito, devido à necessidade de ocupar e reconstruir a infra-estrutura e o Estado iraquianos. O Conselho de Segurança deverá realizar um debate público sobre o Iraque na terça-feira da próxima semana.

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