Internacional
Argentina negociar� d�vida externa
Buenos Aires ? O presidente da Argentina, Mauricio Macri, obteve uma importante vitória no Congresso: a aprovação na quarta-feira (30) de uma lei que permitirá ao governo concluir a renegociação da dívida externa de US$ 100 bilhões, em moratória há quinze anos. Mas, em Buenos Aires, líderes sindicais anunciaram protestos e greves contra demissões no setor público e aumento de tarifas. Depois de 12 horas de debate, o Senado argentino ratificou, por 54 votos a favor e 16 contra, a iniciativa do governo que permitirá propor acordos mais favoráveis a uma minoria (7%) de credores. Eles não aderiram a duas propostas de renegociação da dívida, feitas em 2005 e 2010. Duas leis ? que impediam oferecer condições melhores do que as aceitas por 93% dos credores ? foram revogadas. E o governo foi autorizado a se endividar, emitindo títulos no valor de US$ 12,5 bilhões para terminar de pagar o que deve. Desde a crise de 2001, que levou a Argentina a dar o calote, o país pagou o que devia ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e acertou com 93% dos credores acordos de reestruturação com descontos de até 65%. Mas o problema ganhou novas dimensões com a vitória, na justiça norte-americana, dos chamados ?fundos abutres? ? fundos de investimento que, após a moratória, adquiriram títulos da dívida argentina a preços baratos e recorreram a um tribunal de Nova York para obter o valor total. Os abutres ganharam a batalha judicial nos Estados Unidos, mas o governo de Cristina Kirchner (antecessora de Macri) não cumpriu a sentença, alegando que estaria violando a legislação nacional. Duas leis impediam a Argentina de oferecer um acordo de reestruturação mais favorável à minoria dos credores ? eles não aderiram às propostas de 2005 e 2010.