Internacional
Col�mbia e Farc assinam acordo de cessar-fogo
São Paulo, SP ? O governo colombiano e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) anunciaram ontem, em Havana, o consenso sobre um dos pontos mais importantes do acordo de paz que vêm negociando há três anos: o que define a logística do fim do conflito. Esse item inclui o cessar-fogo bilateral, a entrega de armas por parte da guerrilha e a definição das zonas de segurança onde transitarão os ex-guerrilheiros antes de voltarem à vida civil. O anúncio é um passo decisivo na direção da assinatura final do acordo, cuja ideia do governo e das Farc é que se dê entre o final de julho e o começo de agosto. ?É um dia importante para a América e para a Colômbia. Num mundo assolado pela guerra, o processo de paz na Colômbia valida a perseverança de todos aqueles que lutam para terminar conflitos violentos por meio de soluções conciliatórias e de diálogo?, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, parte em espanhol e parte em inglês. Ontem, ambas as partes anunciaram também que a aprovação do acordo por parte do povo colombiano será feita através de um plebiscito ? que deve ocorrer de dois a três meses após a assinatura. Estiveram presentes à cerimônia o presidente colombiano Juan Manuel Santos, o ditador cubano Raúl Castro e o líder das Farc, Rodrigo Londoño, o ?Timochenko?, além de chefes de estado de vários países, como México, Venezuela, dos EUA e da União Europeia. Com relação ao cessar--fogo, ficou decidido que acontecerá num prazo de 180 dias após a assinatura do acordo. Já a entrega das armas se dará de forma gradual, em três momentos, também no mesmo prazo. Para isso, o governo, em contrapartida, se comprometeu a garantir a segurança dos ex-guerrilheiros contra seus grupos rivais (ex-paramilitares, milícias inimigas) assim que termine o conflito. Foram definidas também 23 zonas de transição e oito acampamentos, onde os ex-guerrilheiros poderão ter a segurança garantida enquanto é estabelecido o modo como serão julgados e passem por um processo de reintegração à vida civil. Os ex-integrantes só poderão sair dessas zonas desarmados.