Internacional
Fran�a, R�ssia, Alemanha e China desafiam os EUA
Berlim ? O presidente francês, Jacques Chirac, apresentou ontem um projeto de desarmamento do Iraque feito por França, Rússia e Alemanha e apoiado pela China. A medida compete com a proposta de resolução condenando os iraquianos apresentada ao Conselho de Segurança (CS) pelos americanos. Faz parte de esforços europeus para impedir uma ofensiva liderada pelos EUA contra Bagdá. ?Não vemos nada na situação atual que justifique uma nova resolução?, disse Chirac. Na opinião do presidente francês, a maioria do CS também não está a favor de uma nova resolução. A proposta exige um fortalecimento do regime de inspeções de armas, pedindo aos inspetores que estabeleçam um ?cronograma rigoroso? para encontrar e destruir armas de destruição em massa e mísseis. Chirac disse acreditar que os meios pacíficos para resolver a crise não foram esgotados e que o objetivo do plano é ?facilitar as inspeções e torná-las ainda mais eficientes? ? com o aumento do número de pessoas e o uso de equipamentos mais avançados. ?É claro que queremos que o Iraque se desarme, porque ele representa um perigo à região e talvez ao mundo. Mas acreditamos que esse desarmamento precisa ocorrer pacificamente?, declarou Chirac, após jantar em Berlim com o chanceler (premier) alemão, Gerhard Schröder. O projeto conjunto ? que foi apresentado à ONU em forma de memorando, não como resolução ? não fixa prazos, dando aos inspetores um período de quatro meses até a data de seu primeiro grande relatório sobre os avanços no desarmamento. Ele também não contém ameaças de uso da força -fator visto por muitos países como essencial para pressionar Bagdá a se livrar de armas proibidas. Schröder disse que a oposição européia à guerra tem raízes no histórico europeu do século 20, período que viu duas guerras mundiais e uma década de conflito nos Bálcãs. ?O que distingue a velha e boa Europa é a profunda consciência do que a guerra realmente significa?, declarou ele. A Chancelaria russa divulgou nota hoje prometendo utilizar ?seu arsenal inteiro de meios diplomáticos? em busca de uma solução pacífica. Moscou afirmou que o ditador Saddam Hussein prometeu ontem ao seu enviado a Bagdá, o ex-premiê Ievguêni Primakov, que não atrapalharia os trabalhos dos inspetores.