Internacional
Iraque apresenta documentos sobre armas a inspetores da ONU
Nova Iorque ? O Iraque deu novos sinais de ?substantiva cooperação?, ao entregar à Organização das Nações Unidas (ONU) várias cartas com informações sobre seu programa armamentista, comentou, ontem, o chefe dos inspetores de armas da organização, Hans Blix, que está preparando um relatório ao Conselho de Segurança (CS) sobre o Iraque. ?Há alguns elementos que são positivos e precisam ser mais bem explorados?, disse Blix, referindo-se às cartas do governo iraquiano relatando a descoberta de documentos manuscritos sobre a destruição de armas de extermínio em 1991, e a localização de uma bomba R-400. Esse artefato, contendo um líquido, estava numa instalação de Bagdá que abrigou armas biológicas no passado. Segundo o embaixador do Iraque na ONU, Mohammed al-Douri, essa informação surgiu depois que o governo criou duas comissões para procurar documentos e provas de que eliminou seu programa de armas químicas, biológicas e nucleares. A R-400 pode ser dotada de agentes mortíferos como a toxina botulínica ou o antraz, e integrava o arsenal de armas especiais do Exército iraquiano na Guerra do Golfo (1991). Na época, o país possuía 1.500 dessas bombas, mas alegou, depois, ter destruído mais de mil. Uma das questões levantadas pelo CS e não respondidas pelo Iraque é justamente o destino das R-400 carregadas. Os inspetores vistoriaram, ontem, um local em que o país alega ter destruído e enterrado bombas com agentes biológicos. /// Tony Blair diz que Saddam terá última chance para se desarmar Londres ? O presidente iraquiano, Saddam Hussein, tem ?mais uma última chance? de se desarmar em obediência às exigências da Organização das Nações Unidas (ONU), declarou, ontem, o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair. Durante discurso na Câmara dos Comuns, o parlamento inglês, sobre a proposta de uma nova resolução da ONU sobre o Iraque, Blair afirmou que o Reino Unido não tentaria a votação de uma nova resolução imediatamente para dar a Saddam uma última chance de se desarmar. Autoridades britânicas disseram que vão tentar a votação de uma nova resolução no Conselho de Segurança em cerca de duas semanas. A resolução 1441, aprovada pelo Conselho de Segurança em novembro, ?pediu uma completa, incondicional e imediata obediência ? não 10%, 20% nem 50%, mas 100% de obediência?, afirmou Blair, acrescentando que qualquer coisa a menos não dá. Estados Unidos, Reino Unido e Espanha apresentaram ao Conselho de Segurança da ONU, na última segunda-feira, o texto de uma nova resolução que abriria caminho para a guerra, afirmando que o Iraque violou as determinações que exigiam o seu desarmamento. A proposta diz que o regime iraquiano não aproveitou a ?última chance? para se desarmar oferecida pela resolução 1441, aprovada em 8 de novembro. E lembra que essa resolução previa ?sérias consequências? em caso de violações. A proposta de uma nova resolução sobre o Iraque deve enfrentar forte resistência no Conselho de Segurança, sobretudo de França, Rússia e Alemanha. Esses países apresentaram uma proposta alternativa, sugerindo o fortalecimento do regime de inspeções de armas da ONU. Esse grupo tem se posicionado contra uma ação militar e pede mais tempo aos inspetores, buscando uma solução pacífica.