Internacional
R�ssia e Fran�a vetar�o guerra contra Iraque
Paris - A França e a Rússia declararam ontem que pretendem vetar no Conselho de Segurança da ONU uma nova resolução que autorize a ofensiva militar contra o Iraque. A proposta idealizada por Estados Unidos, Reino Unido e Espanha estipula que o governo de Saddam Hussein tem prazo até a próxima segunda-feira (17) para se desarmar. O presidente francês, Jacques Chirac, afirmou que em ?qualquer circunstância a França votará contra? uma resolução que imponha um ultimato ao Iraque e implique em guerra. Mais cedo, o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov, anunciou, por meio de um comunicado, que Moscou também vetaria um ataque a Bagdá. Chirac disse que a posição francesa será sempre contrária a uma segunda resolução, quer haja uma maioria a favor ou contra esta resolução. ?Existem duas hipóteses?, lembrou o presidente, evocando a necessidade de uma maioria de nove votos para que seja aprovada uma resolução naquele organismo. Chirac disse ainda que está convicto de que uma segunda resolução proposta pelos EUA, Reino Unido e Espanha ?não tem uma maioria?. A Rússia vetará o projeto de resolução que autoriza o uso da força contra o Iraque se o plano for apresentado ante o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), disse hoje o ministro russo de Relações Exteriores, Igor Ivanov, em um comunicado. ?A Rússia acredita que no momento não há necessidade para quaisquer novas resoluções e é por isso que a Rússia declarou abertamente que, se a proposta que foi apresentada para consideração _e que contém exigências de ultimatos inatingíveis_ for levada a voto, a Rússia votará contra essa resolução?, declarou. *** Estados Unidos tentam garantir apoio à guerra Washington - Apesar da nova declaração de veto da Rússia, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, telefonou para vários líderes mundiais ontem a fim de pedir apoio à resolução da ONU que autorize uma guerra no Iraque. ?Estamos em plena diplomacia?, disse o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer. Para aprovar a resolução, os Estados Unidos precisam angariar nove dos 15 votos do Conselho de Segurança e ainda evitar que França, Rússia ou China exerçam seu poder de veto. Essa resolução dá até o próximo dia 17 para que o Iraque entregue suas armas de destruição em massa, cuja existência Bagdá nega. Apesar de o chanceler russo, Igor Ivanov, já ter anunciado a intenção de vetar o texto, os EUA dizem que não vão se dar por vencidos. Bush mantém uma relação de estreita cooperação com o russo Vladimir Putin, mas, num sinal de divisão, a Casa Branca lembrou que em 1999 a Rússia se opôs a uma resolução que determinava o fim das atrocidades sérvias contra os albaneses de Kosovo. Por causa disso, a Otan interveio no conflito sem autorização da ONU. ?O presidente Bush de fato ficaria decepcionado se a Rússia vetasse. Veria isso como uma oportunidade perdida para que a Rússia assumisse uma importante posição moral em defesa da liberdade e prevenisse o risco de uma catástrofe, como resultado de Saddam Hussein desenvolver armas de destruição em massa?, afirmou Fleischer.