Internacional
Pombos v�o alertar para ataque qu�mico
Os fuzileiros navais dos Estados Unidos que se preparam para a guerra no Iraque terão os equipamentos mais avançados para alertar sobre possíveis ataques com armas químicas e biológicas, mas a primeira indicação de perigo deve vir de um pombo. A entrega de dezenas de aves aos marines estacionados no Kuait, hoje, provocou algumas risadas, mas também mostrou como os norte-americanos estão levando a sério a ameaça de gases químicos em caso de invasão. ?Eles são um sensor extra?, disse o sargento Dan Wallace, responsável pelas precauções contra armas de destruição em massa neste regimento. Ele explica que os pombos são mais sensíveis que os humanos a agentes químicos ou nervosos. ?Tenho sensores que custam US$ 12 mil e pássaros que valem US$ 60 cada, e dedico a mesma confiança a ambos. Qualquer coisa mecânica pode falhar ou fornecer leituras erradas?. Os marines admitem que não sabem como lidar com os pombos, mas prometem aprender rápido. ?Era para termos trazido galinhas, mas elas morreram antes de chegar?, afirmou Wallace. Não se sabe se outras unidades norte-americanas ou britânicas vão receber os pombos, animal que até a Segunda Guerra Mundial costumava ser usado no transporte de mensagens ? alguns chegaram a ser condecorados. Dessa vez, seu papel será diferente. ?Os pombos são bons porque uma dose letal para eles não vai nos matar?, disse o oficial Robert Gabrych, que procurou uma sombra no quartel, que fica no deserto, para acomodar as aves. O Primeiro Regimento dos Marines recebeu 40 pombos. Cada um terá um responsável pelo seu tratamento, provavelmente um cabo, que deve inclusive batizá-los. Os oficiais prevêem que os pombos se tornarão mascotes dos militares. Os soldados que se preparam para invadir o Iraque vão combater com roupas especiais para a proteção contra armas químicas e biológicas. A maioria dos militares já foi vacinada contra antraz e varíola, pois Washington acredita que Bagdá possui armas biológicas. /// EUA planejam período pós-guerra no Iraque Os Estados Unidos se preparam ativamente para um período pós-guerra no Iraque, com a criação de um escritório especial encarregado de planejar a resposta humanitária e coordenar o esforço de reconstrução civil do país. Criado no dia 20 de janeiro pelo presidente George W. Bush, o Escritório de Ajuda Humanitária e Reconstrução (ORHA, na sigla em inglês) está sob administração do Pentágono. A direção é do ex-general do Exército Jay Garner, 64, que pretende atuar como administrador civil provisório e exercer sua autoridade sob a tutela do chefe do Comando Central dos EUA, o general Tommy Franks, que deseja ser o homem forte no Iraque após uma eventual guerra. Se assumir como governador provisório, Franks terá como missão assegurar militarmente as fronteiras e a ordem interna. Garner atenderia as necessidades imediatas da população civil, com a ajuda de três coordenadores encarregados de cada uma das regiões: norte, centro e sul do Iraque. Segundo o Pentágono, Garner seria substituído após alguns meses por um civil reconhecido internacionalmente que se uniria à organização na transição final até um poder autônomo iraquiano. Em caso de guerra, a primeira urgência dos responsáveis pelo OHRA seria evitar um desastre humanitário e a repetição do cenário de 1991, quando 2 milhões de iraquianos ficaram sem casa, durante a Guerra do Golfo. Para isso, existe uma estratégia de seis pontos: minimizar os deslocamentos das pessoas, os danos à infra-estrutura e o corte dos serviços públicos, ter o apoio de ONGs (organizações não -governamentais) para o esforço humanitário e coordenar eficazmente entre civis e militares. Além disso, facilitar as operações das agências internacionais e das ONGs e restabelecer rapidamente o sistema de distribuição das rações alimentícias, das quais depende 60% da população. Para a reconstrução do Iraque, as autoridades provisórias contariam com a ajuda do Exército iraquiano para realizar tarefas de engenharia civil, disse uma fonte do Pentágono. Uma das prioridades seria reparar os oleodutos e as instalações petrolíferas eventualmente danificadas. Além disso, a maioria dos funcionários atuais, a não ser os comprometidos com o regime iraquiano, ficariam em seus cargos, em especial nas escolas, hospitais e ministérios. A fonte não pôde citar o custo estimado para uma reconstrução do Iraque.