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Bush d� 48 horas para Saddam deixar o Iraque

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Washington - O presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, fez nesta segunda-feira um discurso em rede, no qual deu um ultimato de 48 horas para o presidente e ditador iraquiano, Saddam Hussein, deixar o poder desse país árabe, situado no golfo Pérsico. O Iraque tem 23 milhões de habitantes e é dono da segunda maior reserva de petróleo da Terra (só perde para a Arábia Saudita). ?Saddam e sua família têm 48 horas para deixar o Iraque?, disse Bush. ?Os Estados Unidos tem soberania para tratar da sua própria segurança?, acrescentou em discurso duro. A aceitação ao ultimato é a única forma de o presidente iraquiano evitar o ataque das tropas dos EUA e do Reino Unido que se encontram na região do golfo - cerca de 255 mil soldados e o maior aparato de guerra já mobilizado. Bush anunciou ainda que, no caso de não cumprimento do ultimato, os EUA se reservam o direito de usar ?força total? contra o regime iraquiano. Bush criticou ainda a ação dos inspetores da ONU que, segundo ele, ?não cumpriu sua responsabilidade (de achar armas de destruição em massa).? Os EUA, afirmou, reservam-se o direito de ?cumpri-la?. Desafiador Antecipando-se ao pronunciamento de Bush, o ministro das Relações Exteriores iraquiano, Naji Sabri, afirmou que o ultimato não será aceito. Sabri disse a repórteres que ?qualquer criança? no Iraque sabia que o ultimato do presidente Bush a Saddam não seria nem cogitado. ?A única opção [para garantir a paz] é a saída do provocador de guerra número um do mundo, o enfraquecido presidente Bush, que fez de seu país uma piada?, provocou Sabri. Ele afirmou também que a decisão da ONU de retirar sua equipe do Iraque nesta segunda foi uma ?decisão infeliz?. Inspetores de armas da ONU buscavam armamentos de destruição em massa no país. Nada foi encontrado até a semana passada. Ontem, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Espanha desistiram de tentar aprovar a segunda resolução proposta ao Conselho de Segurança (CS) da ONU para dar início a uma ação militar contra o Iraque. Os três países buscavam a aprovação para uma nova resolução a ser adotada pelo CS que afirma claramente que o Iraque violou suas obrigações perante as Nações Unidas - o que, na prática, eqüivaleria a um aval da ONU a uma guerra contra Bagdá. França e Rússia (ambos com poder de veto no CS) disseram de forma explícita que vetariam a proposta de resolução autorizando o uso da força para desarmar o Iraque. A China, que também tem poder de veto, fez coro à rejeição do projeto. Apesar dos esforços diplomáticos ocorridos durante a semana passada, os EUA não conseguiram o apoio dos países-membros do CS considerados indecisos: Angola, Camarões, Chile, Guiné, México e Paquistão. Os últimos acontecimentos indicam que um ataque ao Iraque pode ocorrer a qualquer momento. As forças norte-mericanas concentradas perto do Iraque já passam de 255 mil homens. Destes, 149 mil estão no Kuait, segundo uma autoridade do Pentágono. Pelo menos 235 mil soldados estão estacionados na região do golfo Pérsico e 20 mil se encontram na Europa, prontos para intervir no Iraque, de acordo com este funcionário, que pediu para não ser identificado. Outros 48 mil marines estão a bordo de navios no golfo Pérsico e no Mar Vermelho. Além disso, três porta-aviões estão na região e outros dois no Leste do Mediterrâneo. ### Ataque é um desrespeito às leis internacionais, diz Rússia Londres e Paris - Com o anunciado fim dos esforços diplomáticos sobre a crise no Iraque, crescem as discussões sobre a legalidade de um ataque sem a aprovação da ONU (Organização das Nações Unidas). O ministro do Exterior da Rússia, Igor Ivanov, insistiu que um ataque ao Iraque desrespeitaria as leis internacionais porque não estaria previsto pela resolução 1441, aprovada pela ONU em novembro. Declaração semelhante foi dada pela ministra das Relações Exteriores da Suíça, Micheline Calmy-Rey, afirmando que o seu país, no entanto, continuará neutro caso um ataque ao Iraque ocorra. A declaração do governo russo foi rejeitada pelo secretário de Estado americano, Colin Powell, pelo presidente da Espanha, José María Aznar, e pelo procurador-geral da Justiça do Reino Unido, Lord Goldsmith. O ministro das Relações Exteriores francês, Dominique de Villepin, disse ontem que a França lamenta a decisão dos Estados Unidos e de seus aliados de abandonar a diplomacia. ?Apesar da expressão clara da vontade da comunidade internacional, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Espanha estão ontem salientando a determinação de recorrer ao uso da força?, disse Villepin em um comunicado. ?A França lamenta a decisão que não se justifica e terá graves conseqüências para a região e para o mundo?, afirmou. Villepin reiterou que a maioria dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) ainda é favorável ao desarmamento do Iraque por meio das inspeções de armas. ### Governo envia aviões para tirar brasileiros do Iraque Brasília - Os ministros José Viegas (Defesa) e Celso Amorim (Relações Exteriores) decidiram mandar nesta noite dois aviões para retirar brasileiros do Oriente Médio. Os dois aviões sairiam da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, rumo ao Cairo, no Egito, às 23h de ontem. O governo enviou um Hércules e um Boeing 707 da FAB (Força Aérea Brasileira). Se for necessário, o governo poderá enviar mais aviões para a região. Segundo estimativas do Itamaraty, há 20 mil brasileiros na área do conflito, ou seja, nos vários países vizinhos ou próximos ao Iraque. Muitos deles, porém, têm manifestado a intenção de permanecer na região mesmo diante da iminência da guerra. Em geral, eles têm dupla cidadania ou tem família constituída. O Ministério das Relações Exteriores também incluiu em sua estrutura de atendimento permanente um serviço especial voltado a consultas sobre a situação no Iraque. A população pode esclarecer dúvidas sobre o assunto por meio dos telefones (0xx61) 411-6016 (fax) e (0xx61) 411-6161. No telefonema a Lula, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, manifestou que, apesar de as possibilidades estarem se tornando cada vez mais reduzidas, todos os esforços devem ser dirigidos para uma solução pacífica até o último momento. Segundo o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), Annan manifestou ?apreço pelo interesse e esforço do Brasil em buscar uma solução pacífica para a crise do Iraque?. O secretário-geral da ONU disse que voltará a ligar hoje para Lula. Em encontro com membros do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs dos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a iminente guerra no Iraque de ?obsessão de Bush??. O relato foi feito pelos religiosos, no fim da tarde de hoje, e não foi confirmado pela assessoria de Lula. O conselho entregou uma carta solicitando que o presidente brasileiro use ?todos os meios diplomáticos possíveis para evitar uma solução militar aos problemas do Iraque?. ### Confronto mundial Bagdá - O presidente iraquiano Saddam Hussein ameaçou ontem estender o confronto ao mundo inteiro se os Estados Unidos atacarem seu país, segundo informações da agência de notícias oficial local. ?Quando o inimigo iniciar a guerra, terá que saber que o confronto entre ele e nós explodirá onde houver céu, terra e mar, em escala mundial?, declarou Saddam Hussein durante uma reunião com seus principais colaboradores. Saddam afirmou ainda que é uma ?grande mentira? que o Iraque ainda tenha armas e acusou os EUA de terem se proclamado o principal juiz do mundo. ?Quem designou os EUA como o juiz injusto do mundo, para poder dizer que se este país tiver uma arma de um certo alcance deverá destrui-la??, disse Saddam no encontro, transmitido pela televisão estatal. O presidente iraquiano afirmou também que os EUA estão ?permitindo que malfeitores...como a entidade Sionista [de Israel] produza todos os tipos de armas.??É o direito de todas as pessoas perguntar: quem lhes apontou como juiz para nós??, disse Saddam. O ministro das Relações Exteriores iraquiano, Naji Sabri, rejeitou nesta segunda-feira um ultimato dos Estados Unidos que pede o exílio do presidente iraquiano, Saddam Hussein, para evitar a guerra. Ainda ontem, Saddam Hussein, reconheceu que seu país já possuiu armas de destruição em massa, mas reiterou que atualmente não tem mais esse tipo de armamento. Na tentativa de evitar uma possível invasão liderada pelos EUA no Iraque, Saddam fez a rara declaração durante um encontro com o enviado da Tunísia a Bagdá. Saddam, porém, desafiou as ameaças militares norte-americanas, ao afirmar que os EUA seriam derrotados se atacarem o Iraque.

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