Internacional
Chirac n�o quer os EUA administrando o Iraque
Paris ? A sucessão de Saddam Hussein está abertamente em pauta. Jacques Chirac, o presidente francês, disse ontem que não aceitaria a instalação de uma administração chefiada por britânicos e norte-americanos, porque tal solução ?legitimaria a intervenção militar? efetuada sem o aval da ONU. A França tem poder apenas verbal nessa discussão. O poder bélico está com os Estados Unidos, onde a composição do governo provisório é há algum tempo tema de controvérsia interna. Bem antes de a guerra começar, prevalecia no Departamento de Estado a tese de que o poder fosse provisoriamente entregue a um general norte-americano. O Pentágono preferia a formação de uma coalizão com políticos iraquianos. A divergência se devia ao fato de os diplomatas conhecerem a oposição no exílio e não a julgarem confiável ou hábil para manter a unidade territorial entre curdos, sunitas e xiitas. Colin Powell disse há semanas ao Congresso que uma administração militar duraria no mínimo dois anos. Um de seus adjuntos, Marc Grossman, disse ao ?Le Monde? que, numa primeira fase, de ?estabilização?, o poder seria exercido por um dos comandantes norte-americanos, que em seguida, na ?transição?, passaria parte das tarefas a civis locais. Só numa terceira fase é que os iraquianos passariam a mandar. O militar seria por enquanto o general Tommy Franks, comandante das operações em curso. Países que foram adversários da guerra -Rússia, Alemanha, França ou China- defenderão a entrega do poder às Nações Unidas. O presidente Chirac declarou-se nesse sentido. Foi assim no Kosovo e no Afeganistão. O primeiro-ministro Tony Blair diz que caberia à ONU apenas a gestão do petróleo. É para Blair uma postura defensiva, para que os britânicos não sejam acusados de terem guerreado em nome da carência do óleo cru. De qualquer modo, a correlação de forças está hoje tão clara no plano diplomático que a ONU participará da gestão do Iraque se assim os EUA o quiserem. Com o rumo da discussão, permanecem congeladas as alternativas que levariam Saddam a ser substituído por alguma das lideranças iraquianas no exílio. A principal delas se chama Ahmad Chalabi.