Internacional
�rabes criticam guerra, mas n�o vetam apoio
Cairo ? Os chanceleres dos países árabes reunidos no Egito debateram, ontem, uma proposta de resolução que pede o fim imediato e incondicional do ataque norte-americano ao Iraque, mas não chega a proibir os países participantes de, eventualmente, oferecer apoio às tropas ocidentais. A proposta de resolução condena o ataque anglo-americano, que considera uma violação do direito internacional e da Carta da Organização das Nações Unidas. O texto também reafirma a solidariedade dos países árabes ao Iraque e sugere uma reunião de emergência do Conselho de Segurança contra a guerra. Mas no texto não consta, como em uma versão anterior, o apelo para que os países árabes recusem ajuda às tropas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. Esse veto seria muito bem recebido pela opinião pública árabe, mas complicaria a vida de países que já abrigam soldados ocidentais. ?Não acho que esses encontros sirvam para parar a guerra nem levem ao resultado que as ruas árabes esperam?, disse o chanceler de Catar, xeque Hamad bin Jassim bin Jabr Al Thani, que saiu mais cedo da reunião. Grande parte da população dos países árabes acusa os governos da região de não terem feito o suficiente para evitar a guerra. Há manifestações quase diárias de apoio ao Iraque no Oriente Médio, e várias delas terminam em violência. ?As massas árabes esperam que seus governos tomem uma posição firme, histórica, contra a agressão?, disse o chanceler iraquiano, Naji Sabri, que também participou da reunião da Liga Árabe, que congrega 22 países. Apoio Vários países árabes estão dando apoio a Washington no conflito. O Qatar, por exemplo, cedeu uma base que serve de quartel-general para os EUA na região do Golfo Pérsico. O Kuweit foi a principal base de lançamento do ataque por terra. Esses países foram alvos de críticas do governo sírio. ?Acho que os governos árabes que não apóiam o povo iraquiano, que aprovam a agressão contra um país árabe, que facilitam a agressão, um dia terão de enfrentar seu povo?, disse a porta-voz da chancelaria, Bouthaina Shabaan. O apoio aos EUA não é a única questão polêmica na Liga Árabe. Na cúpula realizada em 1º de março, também não houve consenso em relação à proposta de oferecer asilo a Saddam Hussein, o que poderia evitar ou abreviar a guerra.