Internacional
Bush pede US$ 75 bi ao Congresso para a guerra
Washington ? O governo dos Estados Unidos apresentou, pela primeira vez, uma estimativa de custos da guerra contra o Iraque. O valor chega a US$ 75 bilhões e uma proposta de emenda ao Orçamento de 2003 foi encaminhada ontem ao Congresso. Ao mesmo tempo em que começa a discutir cifras da guerra, o presidente George W. Bush fará uma ofensiva interna nesta semana para demostrar apoio às tropas. Os dois movimentos coincidem com as primeiras más notícias para os EUA no front iraquiano, com baixas e soldados do país capturados pelo Iraque. Há semanas Bush vinha sendo cobrado a apresentar uma proposta de orçamento para a guerra. A pressão chegou ao ponto de o Senado ter imposto uma derrota ao presidente ao retirar, na sexta-feira, US$ 100 bilhões do pacote de corte de impostos do governo para os próximos dez anos -estimado em US$ 726 bilhões- e reservar o dinheiro para gastos militares. A proposta de Bush ainda é vaga em termos da duração do conflito. Ontem, o mercado de ações do país começou a refletir uma expectativa de que a guerra será mais longa do que se previa. Enquanto Bush discutia o orçamento com militares e com o presidente do Fed (o Banco Central dos EUA), Alan Greenspan, as principais Bolsas do país operavam em baixas expressivas, as maiores em quase seis meses. Pesquisas de opinião realizadas no fim de semana mostraram o mesmo sentimento, embora o apoio a Bush continue forte entre dois terços da população. Dos US$ 75 bilhões estimados para a guerra, US$ 62 bilhões devem ser alocados para o Departamento de Defesa. Outros US$ 5 bilhões a US$ 8 bilhões irão para ajuda humanitária no Iraque e para programas de apoio a países aliados dos EUA no Oriente Médio, como Israel, Egito e Jordânia. A Turquia está fora da lista. /// Premier britânico reúne-se hoje com Bush e Annan Londres e Moscou ? O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, viaja hoje aos Estados Unidos para encontrar com o presidente dos EUA, George W. Bush, e com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas(ONU), Kofi Annan. O objetivo da viagem aos EUA é debater a situação humanitária no Iraque e a reconstrução do país depois da guerra. Blair disse que Londres e Washington concordam que a ONU tem um papel fundamental em um período de pós-guerra no Iraque. Questionado se estava viajando a Washington para discutir planos de instalar uma administração civil norte-americana no Iraque após a eventual queda do presidente iraquiano, Saddam Hussein, Blair disse: ?Não?. ?É de comum acordo entre nós que a ONU tem de estar envolvida em um Iraque pós-conflito?, declarou o premier. Ele afirmou que se reunirá com Bush na residência presidencial em Camp David, a cerca de 100 km de Washington. Vai depois a Nova Iorque para encontrar com Annan. A Rússia, um dos países mais envolvidos com a indústria petroleira iraquiana antes da guerra, está cada vez mais preocupada com o futuro de seus interesses no Iraque, como mostravam hoje as declarações do governo russo. ?O governo defenderá os interesses da Rússia no Iraque?, disse o vice-premiê, Viktor Kristenko. Segundo ele, entretanto, os russos não participarão de uma eventual divisão de riquezas iraquianas uma vez terminada a guerra. Sábado, ao estimar que os Estados Unidos pretendiam legitimar sua presença no Iraque com uma resolução do conselho de segurança da ONU, o ministro das Relações Exteriores, Igor Ivanov, disse que a Rússia deveria aproveitar esta oportunidade para defender seus interesses e pedir que ?os contratos firmados sob [o governo] de Saddam Hussein não sejam cancelados e apresentados como nulos e sem valor?.