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EUA dizem ter matado 500 no Sul do Iraque

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Qatar, Washington e Bagdá ? Apenas nos últimos dois dias, cerca de 500 iraquianos foram mortos pelas forças americanas durante operações militares no sul do país, segundo estimativa do sargento Kenneth Preston, que serve no comando do 5º Corpo do Exército americano. Ele não disse se o número incluía civis. Também não foram divulgadas informações sobre mortos em outras regiões do país nem em dias anteriores. Preston disse que as forças americanas encontraram ?vários? tanques iraquianos e unidades de artilharia antiaérea nos arredores da cidade de Najaf, distante 160 km ao sul de Bagdá. ?Essas batalhas poderiam ter sido muito piores, mas os iraquianos não estavam muito motivados?, disse o oficial americano. ?Acho que vários deles queriam ir para casa.? Relatos da frente Em Washington, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, disse que há mais de 3.500 prisioneiros de guerra iraquianos ? informação não confirmada pelo governo de Saddam Hussein. Segundo ele, a guerra aproxima-se de sua etapa final: a tomada da capital iraquiana, Bagdá. Porém, apesar dos avanços, o secretário de Defesa afirmou que a ação militar no Iraque não tem data determinada para terminar. Ontem, no mesmo dia em que abriram frentes decisivas de ataque por terra e ar a tropas leais ao regime de Saddam Hussein e abriram um corredor fortemente armado do litoral até as proximidades de Kerbala e Najaf, a menos de 80 quilômetros de Bagdá, as forças militares dos EUA acabaram freadas por violentas tempestades de areia. As tropas cruzaram o Rio Eufrates em duas frentes, um avanço fundamental na direção da capital iraquiana. A tempestade de areia, que começou de madrugada e se intensificou ao logo do dia, reduziu a visibilidade a poucos metros, obrigando helicópteros a suspender vôos e paralisando alguns comboios. Veículos da 1ª Divisão De Fuzileiros Navais se perderam e se acidentaram. Óculos de proteção não ajudaram contra a areia fina como talco, que já provoca problemas respiratórios nas tropas. Dois helicópteros de combate dos EUA ? um Apache e um Black Hawk ? foram dados como desaparecidos ontem no sul do Iraque, em meio a tempestade de areia que reduz sensivelmente a visibilidade, segundo informações de um oficial norte-americano. ?Neste instante, faltam um Apache e um Black Hawk?, declarou o oficial, que não teve seu nome divulgado, mas que estaria sob comando da 3ª Divisão de Infantaria perto da cidade de Nassiriah, no sul do Iraque, segundo a agência de notícias France Presse. De acordo com informações do correspondente do jornal norte-americano ?The Washington Post?, uma tempestade de areia se dirigia vagarosamente para a capital Bagdá. Até o momento, missões de combate de duas baterias áereas foram convocadas a voltar a suas bases por causa do mau tempo e duas divisões de combate tiveram suas ações atrasadas. Mesmo com a tempestade de areia, Bagdá voltou a ser bombardeada ontem noite. A bateria antiaérea respondeu ao ataque. Muitas explosões foram ouvidas. Pouco depois das primeiras explosões, a televisão estatal iraquiana e a rede da juventude deixaram de trasmitir seus sinais. A capital já havia sido bombardeada pela manhã e à tarde. ?Houve cerca de dez explosões em duas áreas diferentes nas cercanias (de Bagdá). Nos últimos dias, os caças visaram forças iraquianas escondidas em ?anéis de defesa? em torno da capital. Posições ao sul de Bagdá também foram bombardeadas, abrindo caminho para uma invasão da capital iraquiana. Porém, a chegada das tropas anglo-americanas pode demorar um pouco além do planejado por causa do mau tempo. /// Conselho da ONU reúne-se para discutir conflito Nova Iorque ? O Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu acatar a solicitação de um grupo de 22 países árabes e promove hoje o primeiro debate sobre a guerra no Iraque, sete dias após seu início. Não há, no entanto, expectativa de que a reunião resulte em uma resolução. O organismo declara ter convidado todos os 191 países membros para o debate, marcado para as 15h (17h em Brasília). O embaixador da Guiné na ONU e presidente do CS durante o mês de março, Mamady Traoré, informou que o debate deve durar mais que um dia, dado o grande número esperado de oradores. Pela manhã, os membros do Conselho discutem o programa ?petróleo por comida?, que dá ao Iraque direito de exportar petróleo em troca de alimentos e remédios, mas foi suspenso no dia 17. De acordo com o embaixador da Síria na ONU, Mikhail Wehbe, os países que requisitaram a reunião não haviam, até anteontem, decidido se proporão uma resolução para interromper a guerra. Ele prevê que o debate foque a busca de uma solução para o conflito, mas não vê espaço para a aprovação de uma resolução. Na segunda-feira, após a cúpula da Liga Árabe, um grupo de 22 países exigiu formalmente à ONU o fim do confronto. A solicitação foi entregue ao organismo internacional pelo presidente da Liga neste mês, o embaixador iraquiano Mohammed al Douri. A proposta árabe foi prontamente apoiada pela China, país que junto com França, Rússia e Alemanha liderou a oposição à guerra dentro da ONU, prometendo vetar a resolução que daria a anuência do organismo à ação militar, mas que não chegou a ser votada pelo Conselho. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Kong Quan, disse ontem que o país pretende fazer ?todo o possível junto à comunidade internacional para chegar a uma solução política para o conflito no escopo da ONU?. Ontem, no que seria o primeiro esforço concreto para acabar com a guerra, a Arábia Saudita anunciou ter enviado uma proposta de paz aos governos de George W. Bush e Saddam Hussein. Entretanto, o Departamento de Estado norte-americano negou ter recebido qualquer plano saudita. Sem fornecer detalhes, o chanceler saudita, Saud al Faisal, afirmou apenas que a questão deve ser administrada pela ONU. ?Fizemos a proposta e estamos esperando uma resposta positiva. Não fomos rechaçados, mas também não recebemos sinal de que eles aceitaram?, afirmou Al Faisal, para quem os dois países deveriam ?sacrificar-se pela paz?.

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