Internacional
Guerra deixar� mais de 25 milh�es de famintos
Roma ? O Programa Mundial de Alimentos da ONU (WFP, na sigla em inglês) afirmou ontem que o Iraque provavelmente precisará da maior operação de ajuda humanitária da História depois de terminada a guerra. A agência de ajuda humanitária busca um plano para conseguir alimentar mais de 25 milhões de pessoas, quase o total da população iraquiana, disse em Roma, ontem, Trevor Rowe, porta-voz do WFP. Após a interrupção do programa da ONU ?Petróleo por Comida?, que permitia a venda de quantidades limitadas de combustível para comprar bens de primeira necessidade, o WFP teria que reconstruir todo o sistema de distribuição de alimentos do país, acrescentou Rowe. O custo da operação poderia superar US$ 1 bilhão. Seriam necessários seis meses até que os alimentos chegassem às mãos de toda a população. Criado após a Guerra do Golfo em 1991, o petróleo por comida foi suspenso semana passada, com o começo da guerra. Sessenta por cento da população iraquiana deixou de receber alimentos. Mesmo atrapalhado pela densa tempestade de areia que assola o Iraque, um comboio de forças americanas cruzou a fronteira do Iraque vindo do Kuwait nesta quarta-feira, levando comida, água e outros mantimentos para a população da cidade de Safwan, no sul do país. O preço de uma ocupação norte-americana no Iraque pode ser enorme, a ponto de transformar os gastos com a guerra em algo insignificante, segundo alguns analistas. Isso em um momento em que se discute o preço da guerra e como pagá-lo, já que o governo dos Estados Unidos está no vermelho. Nesta semana, a Casa Branca pediu quase US$ 75 milhões extras para o Congresso, para pagar por uma guerra relativamente curta no Iraque. O Congresso ainda não discutiu a respeito dos fundos que serão destinados para a reconstrução do país. Na terça-feira, o Senado reduziu pela metade a proposta do presidente George W. Bush de cortar US$ 726 bilhões em impostos nos próximos dez anos. Para um governo que gasta US$ 2 trilhões por ano, um gasto eventual de US$ 75 bilhões é relativamente pequeno. Mas a quantia vai se somar ao maior déficit no orçamento já previsto ? US$ 304 bilhões em 2003 ?, juntando-se à atual dívida do governo, de US$ 6,4 trilhões. O Conselho das Relações exteriores, em um informe recente, estimou que os EUA podem precisar deixar 75 mil soldados no Iraque durante vários anos - contando com a ajuda humanitária, os gastos poderão chegar a 20 bilhões de dólares por ano. Na Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos assumiram uma enorme dívida para financiar uma guerra global disputada em duas frentes. Mas logo conseguiu se recuperar. A dívida, que chegou a ser de 108,6% do produto interno bruto em 1946, ficou em 57,3% do PIB em 1995. No Vietnã, o crescente envolvimento dos EUA no conflito durante a década de 60 também foi financiado por empréstimos governamentais, mas em uma proporção muito menor. A decisão de financiar a guerra ao mesmo tempo em que o então presidente, Lyndon Johnson, aplicava diversas políticas sociais, levou os críticos a dizer que o governo comprava ?tanto armas quanto manteiga?. /// Megacomboio iraquiano marcha em direção às tropas americanas Kuait ? Um megacomboio de cerca de mil veículos militares iraquianos está se movendo na direção da cidade de Najaf, cenário de uma enorme batalha com forças americanas na madrugada de ontem. A coluna gigantesca seria formada de tropas da força de elite do Iraque, a Guarda Republicana de Saddam Hussein. As forças estavam se movendo de Bagdá numa velocidade de cerca de 30 quilômetros por hora, na direção de elementos da Terceira Divisão de Infantaria do Exército americano, segundo a rede de TV CNN. Oficiais militares da coalizão dizem acreditar que as forças iraquianas que se movem para o sul queiram recuperar a estratégica ponte sobre o rio Eufrates, capturada por tropas da coalizão anglo-americana após uma violenta batalha. Os comandantes dos EUA estavam ordenando ataques aéreos para tentar retardar o avanço iraquiano. Havia informações de que uma coluna de tanques e soldados armados iraquianos foi atacada por forças britânicas e americanas quando deixava a cidade de Basra, a sudeste de Najaf. Os oficiais da coalizão disseram que cerca de 3 mil homens da Guarda Republicana foram vistos perto da rodovia 7 e outros 2 mil em outra estrada. Cerca de mil veículos participariam do comboio. A marcha pode representar uma mudança na estratégia iraquiana, e desencadear batalhas mais violentas. Até então, as tropas da Guarda Republicana (a elite do poderio militar de Saddam Hussein) estavam concentradas em Bagdá. Após sete dias de conflito, os Estados Unidos informam que pelo menos mil combatentes iraquianos foram mortos. O Iraque diz que foram apenas sete militares, mas 132 civis mortos. Mais de 600 mísseis de cruzeiro Tomahawk e 4,3 mil bombas guiadas de precisão foram lançadas contra o Iraque. Hoje, Bagdá foi intensamente castigada pelos bombardeios. Um mercado, em um bairro civil, foi atingido e pelo menos 15 pessoas morreram. A Guarda Republicana de Saddam Hussein deixou os arredores de Bagdá e se direcionou para o sul do país. Atualmente, mais de 250 mil militares americanos estão encarregados de apoiar as operações, além de outros 40 mil homens das outras forças da coalizão, essencialmente britânicos e australianos. Outros milhares de efetivos estão prontos para seguir para o Golfo, como é o caso de 12 mil homens e mulheres da Quarta Divisão de Infantaria, que deixarão Fort Hood (Texas) a partir de amanhã. Apesar da ofensiva militar da coalizão, o presidente iraquiano Saddam Hussein sobreviveu aos constantes ataques e os Estados Unidos não têm informações sobre seu paradeiro. O presidente norte-americano George W. Bush tenta animar as tropas, garantindo uma vitória, mas não tem como negar que o conflito ainda vai longe.