Internacional
Aliados matam mil iraquianos em 72 horas
Qatar ? As tropas americanas mataram mil iraquianos nas últimas 72 horas na região de Najaf (sul do Iraque), afirmou ontem o general Buford Blount, comandante da Terceira Divisão da Infantaria dos Estados Unidos. O comandante John Altman, oficial dos serviços de informação da Primeira Brigada da Terceira Divisão da Infantaria dos EUA, tinha declarado que 650 iraquianos haviam morrido durante os combates nos arredores de Najaf ?nas últimas 24 horas?. ?Além disso, 250 combatentes foram mortos em dois incidentes separados à margem leste do rio Eufrates e outros cem em uma ponte?, declarou Blount. AsPRIVATE ?TYPE=PICT;ALT=? forças americanas não teriam registrado nenhuma perda nos combates. De acordo com o oficial americano, os combatentes iraquianos eram provavelmente membros armados do partido Baath (no poder) e milicianos pró-Saddam. Tropas americanas enfrentaram um duro combate com forças iraquianas ontem pelo controle de uma ponte sobre o rio Eufrates perto da cidade de Najaf. Os iraquianos atacaram com armas automáticas, lança-mísseis antitanque e morteiros, e os soldados americanos repeliram o ataque com a ajuda de tanques e blindados, afirmou Altman. Dois tanques dos EUA ficaram danificados, mas os soldados americanos conseguiram escapar e foram ajudados por seus colegas, declarou o oficial americano. Pequenos grupos de iraquianos se dispersaram e adotaram ?posições de franco-atiradores?, disse, acrescentando ser esta é a batalha mais importante da Terceira Divisão da Infantaria dos EUA desde que chegou ao Iraque. Najaf é uma importante cidade situada junto ao rio Eufrates, a 150 km ao sul de Bagdá. O Pentágono afirmou que o presidente do Iraque, Saddam Hussein, é responsável por todas as mortes no seu país. Além disso, acrescentou que suas políticas são a causa da invasão anglo-americana. ?Cada morte que acontece é resultado direto da política de Saddam Hussein?, declarou a principal porta-voz do Pentágono, Victoria Clarke, depois de destacar os esforços dos Estados Unidos para evitar vítimas civis. O secretário de Defesa do Reino Unido, Geoff Hoon, disse que o risco de morte de civis durante bombardeios aéreos vai aumentar, mas isso não vai diminuir a intensidade da campanha militar. ?Obviamente, enquanto vamos em frente, esses riscos crescem. Obviamente, como a campanha aérea tem demonstrado, há riscos para civis?, afirmou Hoon ao Parlamento britânico. ?Mas eu não acredito que nenhum caso vai diminuir a intensidade da campanha. Nem vamos deixar (isso acontecer). /// Mísseis atingem mercado de Bagdá e deixam 15 civis mortos Bagdá ? Um aparente erro da coalizão liderada pelos EUA resultou num massacre no norte da capital do Iraque, ontem. Ao menos 15 pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas num mercado ao ar livre em Bagdá atingido durante um bombardeio das forças de coalizão, segundo as autoridades iraquianas. O episódio promete aumentar ainda mais a fúria de árabes e a oposição de milhões de pessoas em todo o mundo à guerra. O Comando Central das forças americanas disse, em um comunicado, que aviões aliados bombardearam nove pontos de lançamento de mísseis em Bagdá na quarta-feira, a poucos metros de uma área residencial. Mas ainda não se saberia dizer se alguma bomba ou míssil errou o alvo e atingiu o mercado. Segundo o Pentágono, os alvos do bombardeio ficavam em outro distrito. ?Os mísseis e lançadores estavam dentro de uma área residencial civil?, disse o Comando Central. ?A maioria dos mísseis estava posicionada a menos de 90 metros de casas. Uma ampla avaliação da operação está em andamento.? Os ataques ocorreram aproximadamente às 11h, segundo o Pentágono, mesmo horário em que, segundo os iraquianos, dois mísseis ou bombas teriam atingido o mercado, localizado no norte da cidade. No momento da tragédia, aviões militares da coalizão anglo-americana bombardeavam a cidade, à luz do dia. Um porta-voz da Força Aérea Real da Grã-Bretanha disse que uma investigação seria aberta para apurar o incidente. Segundo ele, se o massacre foi resultado de um erro da coalizão, os aliados ?lamentam profundamente a perda de vidas humanas?. Uma multidão furiosa se reuniu no cenário do massacre, gritando palavras de ordem anti-americanas. Algumas pessoas no local disseram que o número de mortes poderia chegar a 45. Um correspondente da Reuters contou pelo menos 15 corpos estendidos na rua, no distrito de Shaab, entre carros queimados e destroçados e entulhos de prédios atingidos. Se for confirmado que houve um ataque aliado, será o maior retrocesso nos esforços dos EUA e da Grã-Bretanha em minimizar as baixas civis para reduzir a oposição pública. O general de brigada americano Vicent Brooks disse que as forças dos EUA estão investigando as informações sobre o massacre. Uma onda de seis explosões foi ouvida nos arredores de Bagdá, momentos após o mercado ter sido atingido. As bombas ou mísseis pareciam ter caído ao sul da cidade, para onde teriam sido deslocadas unidades da Guarda Republicana do Iraque.