Internacional
Aliados mandar�o mais 120 mil homens ao Iraque
Washington - O Departamento de Defesa dos EUA (Pentágono) anunciou que vai mais do que duplicar, no mês que vem, suas tropas no Golfo Pérsico, estimadas atualmente em 100 mil militares. Vinte mil homens da 4ª Divisão de Infantaria vão partir nos próximos dias de Fort Hood, no Texas, para o Iraque, e um outro contingente de 100 mil soldados e marines, incluindo uma unidade baseada na Alemanha, já recebeu ordens de preparar-se para seguir para a região, informou a rede de TV a cabo CNN. As novas forças também incluirão unidades fortemente mecanizadas. De acordo com outras informações, porém, o número total a ser enviado será 100 mil. Além das tropas americanas, estão no Golfo Pérsico 25 mil soldados britânicos. Os altos funcionários do Pentágono frisaram que a escalada militar não é novidade e faz parte do plano de guerra, pois a convocação de mais de 200 mil homens já havia sido anunciada antes do início do ataque ao Iraque. Em uma entrevista antes do anúncio da ampliação do contingente no Golfo, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, negou que o Pentágono tenha mudado seu plano de guerra por causa da resistência das forças iraquianas e esteja se apressando na convocação de mais homens para enfrentar a Guarda Republicana e as unidades paramilitares iraquianas. No front no sul do Iraque, os comandantes das forças americanas disseram hoje que estão se preparando para a maior batalha até agora na rota em direção a Bagdá: um confronto perto da cidade sagrada xiita de Kerbala, com membros da Guarda Republicana, a força de elite do presidente Saddam Hussein. A previsão dos militares é de que a batalha decisiva para o avanço sobre Bagdá deve ocorrer dentro de 48 a 72 horas. Há dois dias eles travam combates com forças iraquianas enquanto seguem o Rio Eufrates em direção ao norte. ?Kerbala está ganhando contornos de uma grande batalha?, disse o coronel Paul Grosskruger, do 94º Batalhão de Engenharia, vinculado à 3ª Divisão de Infantaria dos EUA. O Comando Central militar dos EUA, com sede atualmente no Qatar, negou que um helicóptero Apache tenha sido derrubado pelos iraquianos e garantiu que nenhum de seus aparelhos está desaparecido. A TV árabe por satélite Al-Jazira mostrou imagens de um helicóptero americano cercado por iraquianos mostrando seus fuzis. Na segunda-feira, um helicóptero Apache caiu ao sul de Bagdá e as autoridades iraquianas disseram que ele foi abatido por um agricultor. Mais de 200 chefes tribais foram ontem a Bagdá para pegar armas e alistar seus clãs nas milícias civis que engrossam, a cada dia, as forças de defesa do regime de Saddam Hussein. /// Ex-adversários do IRA vão lutar nas ruas de Bagdá Washington ? Guerreiros das ruas, homens experimentados na luta urbana contra os terroristas da Irlanda e nos teatros de operações da Bósnia, do Kosovo e de Mogadíscio: as primeiras tropas da coalizão a entrar em Bagdá serão os veteranos britânicos do combate ao IRA, combinados com a infantaria Ranger, de Fort Benning. Os dois grupos estão recebendo informações de inteligência da 1ª Legião de Operações Especiais do Exército da Espanha, militares peritos no combate aos rebeldes bascos do ETA. A cooperação, ?sem envolvimento de tropas?, foi anunciada em Madri pelo Ministro da Defesa, Federico Tillo. O contingente britânico diretamente envolvido é formado por quatro batalhões históricos: o 1º de Guardas Irlandeses; o 1º Black Watch; o 1º Regimento Real de Fuzileiros; e o 1º da Infantaria Ligeira. O apoio avançado virá de três regimentos de reconhecimento avançado. Os americanos são os Ranger da 3ª Divisão de Infantaria e da 75ª Infantaria do Exército, com apoio da Companhia BCSAR de Busca e Resgate em Combate. Todos estarão sob a denominação da unidade líder, ainda não revelada pelo Comando Central em Doha, no Qatar. As maiores dificuldades para as forças anglo-americanas é a entrada na capital do Iraque. Bagdá é uma cidade de 1.300 anos, onde a planta urbana reflete essa condição. Há um bolsão histórico onde ficam as lojas e bancas do bazar, com vielas de 4 metros. Existe o distrito estrangeiro, herdado do período de dominação inglesa, com casas e arruamento típicos da Europa na primeira metade do século 20. E há o complexo viário de acesso ao aeroporto e aos distritos industriais, com avenidas largas e auto-estradas. Os ingleses, curtidos na guerrilha contra o IRA, na Irlanda, dispõem de blindados pequenos, leves e ágeis. Armados com um canhão rápido de 20 mm, metralhadora e lança-granadas, cada um deles pode levar até 7 soldados equipados. Os Rangers deslocam-se em grupos maiores, a bordo de helicópteros Black Hawk ou, em terra, em veículos semiblindados Hummvee e blindados leves Bradley, também dotados de um canhão rápido de 20mm. Essas forças serão apoiadas pelos canhões de 120 mm dos tanques pesados M1A-2 Abrams e pelas armas de outros carros de combate. No entanto, a ação desse material estará prejudicada pelas limitações de espaço para as manobras desses gigantes de aço de 10 metros de comprimento; 54 toneladas de peso e 3,5 metros de altura. É impressionante, mas não é definitivo. Os soldados iraquianos têm a vantagem de conhecer o terreno, os prédios e todas as armadilhas naturais da cidade. /// Aviões esperam nos céus ordem para atacar Bagdá Golfo Pérsico ? Nos céus do Iraque, vários caças americanos circulam carregados com bombas à espera por um pedido de um soldado ou de um fuzileiro para investir contra um alvo em solo. ?Estou querendo trabalhar, senhor?, disse um piloto ao controlador de tráfego aéreo pelo rádio. ?Eles têm apenas mais cinco minutos no ar. Você tem alguma coisa para eles??, perguntou uma outra voz durante uma missão recente de apoio aéreo. Aviões do USS Abraham Lincoln e de dois outros porta-aviões norte-americanos estacionados no golfo Pérsico sobrevoam o Iraque 24 horas por dia para dar apoio aos soldados em terra que avançam rumo a Bagdá (capital). Depois dos primeiros dias da guerra, iniciada há uma semana, o cenário mudou, e os alvos antes fixos agora se transformaram em alvos móveis identificados por forças avançadas. Essas podem ser forças especiais em solo ou aviões de vigilância. ?A qualquer momento, alguém pode pedir por fogo aéreo, e temos os aviões prontos?, disse o capitão Scott Swift, vice-coman-dante da frota de aviões do Lincoln. As aeronaves convivem com a limitação de combustível, de modo que muitas carregam mais combustível e menos bombas a fim de poderem ficar mais tempo no ar. Geralmente esses aviões levantam vôo com coordenadas de alvos pré-estabelecidos e que podem ser atingidos caso as forças em terra não peçam por apoio.