Internacional
EUA rejeitam apelos para cessar-fogo no Iraque
Washington e Bagdá ? A despeito de possíveis apelos por um cessar-fogo na Organização das Nações Unidas (ONU), o secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, declarou ontem que não haveria pausa na guerra contra o Iraque até que o presidente Saddam Hussein fosse deposto em Bagdá. ?Não tenho idéia quanto ao que alguns países podem propor, mas não haverá cessar-fogo?, disse o responsável pela Defesa norte-americana ao Comitê Orçamentário do Senado dos Estados Unidos. Enquanto as forças lideradas pelos EUA avançavam rumo a Bagdá, Rumsfeld respondia a perguntas sobre informações de que a França ou talvez outro país poderia pressionar a ONU a apoiar a suspensão dos combates. A França está na vanguarda das críticas internacionais à guerra. O secretário falou durante uma audiência de aprovação, no Congresso, para o pedido de 74,7 bilhões de dólares em verbas suplementares pelo presidente George W. Bush. Ele disse que não haveria ?cessar-fogo prematuro? antes que Saddam seja removido do cargo. ?A guerra vai terminar, em algum ponto. E terminará no ponto em que o regime deixe de existir?, disse Rumsfeld aos senadores. ?Naquele ponto, haverá uma forma de cessar-fogo.? Rumsfeld e o general Richard Myers, da Força Aérea, disseram ao comitê que não era possível prever quando a guerra acabaria, mas alegaram que o conflito envolvendo dezenas de milhares de soldados britânicos americanos contra tropas iraquianas e ?fedayeen?, combatentes paramilitares leais ao governo de Saddam Hussein, estava prosseguindo de acordo com o plano. ?Como esse conflito vai se desenrolar eu não sei. Não há ninguém no mundo que saiba?, disse Rumsfeld. ?O regime de Saddam será removido, e a única coisa incerta é determinar exatamente quanto tempo isso vai demorar.? Myers disse que as forças paramilitares que atacaram unidades britânicas e norte-americanas no sul do Iraque eram apenas um ?embaraço?, e não estava cortando ou retardando a chegada de suprimentos no percurso entre a fronteira do Kuait e a região ao sul de Bagdá. Diversas explosões puderam ser vistas na noite de ontem (horário local) em Bagdá, após caças norte-americanos voltarem a bombardear a capital iraquiana pelo oitavo dia. A correspondente da agência de notícias Reuters Samia Nakhoul contou que os mísseis foram lançados logo após às 23h (17h em Brasília). ?Uma explosão aconteceu bem perto de mim?, disse. ?O céu ficou claro e posso ver uma coluna de fumaça.? Uma hora antes, pelo menos três explosões foram ouvidas na periferia sul de Bagdá. Os arredores da cidade já haviam sido atacados às 17h30 (11h30 em Brasília) e às 15h15 (9h15 em Brasília). Na última semana, bombardeios têm atingido Bagdá tanto de dia como à noite. Entre os alvos, estão palácios de Saddam Hussein e prédios do governo e das Forças Armadas. Washington e Londres continuam acusam Saddam de esconder armas de destruição em massa. Saddam nega as acusações. O ministro iraquiano da Defesa, Sultán Hachem Ahmed, assegurou hoje que Bagdá é ?inconquistável? embora tenha admitido que as primeiras unidades americanas estejam a 140 quilômetros da entrada da cidade. /// Bush reforça: combate só termina com vitória Camp David ? O presidente dos EUA, George W. Bush, e o premier britânico, Tony Blair, pediram ontem que a ONU (Organização das Nações Unidas) restabeleça o programa Petróleo por Comida imediatamente. O programa, que distribui cestas básicas à população iraquiana, foi interrompido desde o início da guerra no Iraque. Sobre a duração da guerra disseram: ?Não é uma questão de tempo, é uma questão de vitória.? As declarações foram feitas em entrevista coletiva transmitida ao vivo pela rede de TV CNN após encontro entre os dois líderes. Segundo Blair, ele e Bush haviam decidido pedir uma nova resolução da ONU sobre ajuda humanitária e administração pós-guerra no Iraque e prometeram deixar intactas as fronteiras territoriais do Iraque. Ambos parecem discordar sobre a amplitude da participação da ONU em uma eventual reconstrução do Iraque. Blair defendeu uma maior participação da ONU em uma administração do Iraque após a guerra. ?Sem dúvida, a ONU deve estar envolvida neste processo?, disse. O premier britânico afirmou que ele e Bush concordavam em ?princípios?, mas que havia ?uma grande quantidade de detalhes [...] que deveriam ser discutidos?. De acordo com o presidente americano, ?esse assunto humanitário não deve ser politizado. O Conselho de Segurança deve dar ao secretário-geral Kofi Annan a autoridade para começar a dar comida aos que precisam de assistência?. Questionado sobre a duração da guerra, Bush afirmou: ?O tempo necessário para ganhar (a guerra). O tempo necessário para alcançarmos o nosso objetivo. O tempo necessário?. ?Não é uma questão de tempo, é uma questão de vitória.? Bush disse que as forças da coalizão estão ?avançando dia após dia? no Iraque. Blair declarou que ?Saddam Hussein e seu odioso regime serão removidos do poder?. ?O Iraque vai ser desarmado de suas armas de destruição em massa. E o povo iraquiano vai ser livre. Esse é o nosso compromisso. Essa é nossa determinação?, disse Blair. O premier britânico e o presidente norte-americano se reuniram para discutir sobre a guerra no Iraque e a reconstrução do país, em meio a sinais de que a campanha militar poderia se prolongar durante meses. Os líderes, que se encontraram pela terceira vez em três meses, se reuniram às 9h30 (11h30 em Brasília) na residência de Bush em Camp David (a 100 km de Washington). O encontro ocorreu um dia depois de Bush declarar que ?a guerra está longe do fim?, enquanto forças lideradas pelos EUA enfrentam dura resistência iraquiana. Em sua viagem de retorno a Londres na noite de hoje, Blair fará uma escala em Nova York para encontrar com o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, em uma sala VIP do aeroporto, para estudar futuros passos no Iraque.