Internacional
Combates prosseguem em cidades no sul do Iraque
Nasiriya ? Os combates prosseguem no sul do Iraque em meio à ferrenha resistência iraquiana ao incessante ataque das forças anglo-americanas, que admitiram não estarem ?nem perto? de controlar a cidade de Basra, a segunda mais importante do país. A coalizão precisa controlar o sul do país para garantir uma linha de suprimentos, a partir do Kuwait, a fim de abastecer as tropas que farão o cerco a Bagdá. A cidade de Basra continua sob controle dos soldados iraquianos, informou hoje no Kuwait um porta-voz do Exército britânico. ?Basra não está em nossas mãos. Não estamos nem sequer próximos de controlá-la de alguma forma?, reconheceu o coronel Chris Vernon, porta-voz das forças britânicas. O militar acrescentou que, nas atuais circunstâncias, ?não temos como levar ajuda humanitária aos habitantes da cidade?. A respeito da ajuda à população iraquiana, um porta-voz da organização humanitária Christian Aid declarou hoje em Londres que o Iraque ?padece de uma crise humanitária sem precedentes?. ?As forças aliadas têm dois pesos e duas medidas: por um lado atacam e bombardeiam; por outro, oferecem alimentos e ajuda?, declarou John Davison, porta-voz da instituição, em alusão à iminente chegada do primeiro carregamento britânico com ajuda humanitária ao porto iraquiano de Umm Qasr. Pouco após o início da guerra, há 11dias, os aliados anunciaram a ?conquista? de Basra. Porém, logo vieram à tona informações independentes sobre os intensos combates na cidade, onde já morreram dezenas de civis. Os bombardeios das forças invasoras deixaram a cidade sem água, o que representa um grave perigo para a população civil. A falta de água, disse em Amã um porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU), é um problema muito grave. ?Faltam peças de reposição para recolocar em funcionamento três estações de tratamento de água?, informou David Wimhurst, da Agência de Coordenação da ONU no Iraque. Outras três cidades ao sul de Basra estão sem água. ?Quase 400.000 pessoas foram afetadas pelo problema. Nas atuais condições, é impossível reparar as estações? de tratamento, explicou. A rede de televisão Al-Jazira, do Catar, mostrou ontem a destruição causada nesta cidade situada a cerca de 500 quilômetros ao sul de Bagdá, a capital. /// Pressão das forças aliadas Bagdá ? O bombardeio da noite de sexta-feira sobre Bagdá não deixou a população iraquiana dormir e manteve também acordados os jornalistas estrangeiros que acompanham o conflito na capital do Iraque. Os alicerces do hotel Palestina, onde se concentram os jornalistas, tremeram com o impacto das bombas despejadas pelas forças americanas. O jornalista português Carlos Fino, da emissora portuguesa RTP, foi um dos que passaram a noite em claro. Ele disse que as bombas atingiram não só os arredores, como a maioria dos bombardeios anteriores, mas também o centro da cidade. Fino disse que os americanos visaram estruturas civis, como instalações de comunicação. Segundo ele, várias torres de telefone foram atingidas. As que ainda estão de pé, tiveram sua central de controle danificada. Depois do bombardeio, os jornalistas estrangeiros foram levados por funcionários do Ministério das Comunicações do Iraque a visitar os locais atingidos. Fino disse que os moradores de Bagdá estão furiosos, porque a natureza da guerra mudou. ?Nos primeiros dias era uma guerra que visava os palácios de Saddam, as instituições do governo. Era mais uma guerra que atingia os símbolos do poder de Saddam. Agora, a guerra está atingindo a infra-estrutura da cidade, já atingiu também bairros residenciais e a população que resta em Bagdá está ficando furiosa. Eles querem resistir?, afirmou.