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Guerra pode traumatizar 500 mil crian�as

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Genebra ? Pelo menos 500 mil crianças iraquianas podem sofrer graves traumas com a guerra e necessitar de auxílio psicológico, disse o Unicef, órgão das Nações Unidas para a infância. ?Suspeito que cerca de 500 mil crianças em Basra, Najaf, Karbala e Bagdá possam precisar de reabilitação psicossocial quando voltarmos?, disse Carel de Rooy, representante do Unicef no Iraque. Ele estava se referindo às cidades que, até agora, sofreram os bombardeios mais pesados do conflito, que começou no dia 19 de março, às 23h35 (horário de Brasília). ?Há 5,7 milhões de crianças em idade de frequentar a escola primária no Iraque. Pelo menos 10% delas vão precisar de apoio, mas o número pode ser bem maior?, afirmou. O Unicef não tem estudos sobre os efeitos potenciais dos bombardeios sobre as crianças, mas De Rooy contou que um menino de nove anos, filho de um funcionário local do órgão em Bagdá, teve de ser sedado depois que as janelas de sua casa foram destruídas em um ataque. ?Esse é um exemplo. Não sabemos o que vamos encontrar quando voltarmos. Suspeitamos que haja um sério problema com crianças traumatizadas?, afirmou. A ONU (Organização das Nações Unidas) retirou todos os seus funcionários estrangeiros do Iraque pouco antes do começo da guerra. A OMS (Organização Mundial de Saúde) também já alertou para os efeitos psicológicos dos bombardeios sobre as crianças, os mais velhos e os deficientes físicos e mentais. A OMS teme ainda que os ataques impeçam o acesso da população a hospitais e ambulatórios. Até agora, porém, não há notícias de epidemias ou falta de remédios no Iraque. Segundo De Rooy, o Unicef tem instrumentos para lidar com crianças traumatizadas, pois essa situação já ocorreu em lugares que sofreram guerras, como Timor Leste e Moçambique, ou desastres naturais. Nesses casos, o Unicef treina adolescentes para organizar jogos, rigidamente controlados, que incentivam a socialização e a escolarização dos mais novos. A maioria das crianças afetadas se recupera após duas ou três sessões, mas, segundo De Rooy, 1% delas costuma precisar de atenção psicológica individualizada. ?Isso custa cerca de US$ 20 por criança. Se conseguirmos os recursos podemos trazer as pessoas que já fizeram o trabalho em outros lugares e reproduzi-lo no Iraque em larga escala?, afirmou. /// OIT prevê 22 milhões de desempregados Genebra - O impacto econômico da guerra no Iraque poderia causar o fechamento de 22 milhões de postos de trabalho em todo o mundo, segundo previsões preliminares de especialistas da Organização Internacional do Trabalho (OIT). No Iraque, cujas previsões se baseiam em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a guerra poderia criar dois milhões de desempregados e mais de 900.000 refugiados. De acordo com a OIT, 10 milhões de iraquianos, no total, deverão depender da ajuda humanitária para sobreviver. Fora do Iraque, a OIT prevê que os setores mais afetados serão o de transporte e turismo. Em particular, quatro milhões de postos de trabalho seriam perdidos na região da África subsaariana. Mas o país mais afetado seria o Egito, que sofreria ao mesmo tempo com a queda no turismo e o retorno dos egípcios que trabalham no Iraque e na região do Golfo Pérsico. O PIB (Produto Interno Bruto) do Egito poderia cair até 10%, com uma perda de até US$ 6 bilhões, segundo as previsões da OIT. Outros países mais afetados seriam o Sudão, a Índia, Bangladesh e as Filipinas. Entre 2001 e 2002, a indústria do turismo mundial já havia perdido 6,6 milhões de postos de trabalho. A tendência teve uma aceleração particular depois dos atentados terroristas de 11 de setembro contra os Estados Unidos.

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