Internacional
Guerra: EUA x IRAQUE
A guerra entra no 11º dia sem previsão de quando vai acabar. Os aliados, que esperavam um desfecho rápido, foram surpreendidos pela firme disposição dos iraquianos de resistir até o fim. Apesar de sua alta tecnologia e do reforço de 120 mil homens para o combate, as forças de coalizão não conseguem entrar em Bagdá, a capital iraquiana. E já têm a certeza de que vão ter que voltar ao passado para tentar vencer o inimigo em terra: a guerra de Bagdá será, na realidade, uma luta de guerrilha. As tropas, que têm o mais alto índice hightech e o poder mais devastador do planeta, receberam ordem para encaixar a baioneta na ponta do seu rifle M-16. Os números do confronto: 27 soldados norte-americanos mortos, de acordo com os EUA; 20 soldados britânicos mortos, segundo a Grã-Bretanha; 504 civis iraquianos mortos e 4.277 feridos, no balanço do governo iraquiano. O número de soldados iraquianos mortos ou feridos é desconhecido. /// Batalha de Bagdá vira luta de guerrilha AGÊNCIA O GLOBO Qatar ? As tropas que têm o mais alto índice high-tech e o poder mais devastador do planeta receberam na quinta-feira, via satélite, uma instrução ironicamente antiquada, quando se aproximavam um pouco mais de Bagdá. Do seu Centro de Operações Conjuntas, que funciona num salão repleto de computadores, monitores de satélites e uma sofisticada rede de circuitos eletrônicos, o Comando Central dos EUA ? instalado temporariamente numa base militar no Qatar ? determinou aos soldados que encaixassem a baioneta na ponta do seu rifle M-16. O objetivo dessa medida era mais simbólico do que letal, disse um porta-voz do Pentágono. O brilho da baioneta ao sol do deserto serviria para sinalizar aos iraquianos que os invasores estão decididos a travar, inclusive, uma luta corpo-a-corpo para atingir o seu objetivo. Ela, no entanto, poderá vir a se tornar algo verdadeiramente necessário, já que cada dia fica mais claro para os estrategistas americanos que eles terão de se conformar com a execução do seu plano B ? que preferiam evitar: enfrentar o pesadelo da guerrilha urbana. ? Tudo indica que para nos livrarmos de Saddam Hussein será preciso recorrer a um tipo antigo de batalha: usar milhares de soldados, carregando rifles e granadas, enveredando-se pelas ruas e vielas de Bagdá, lutando quadra a quadra, casa a casa?, disse ao Globo Michael O?Hanlon, especialista em assuntos militares do Brookings Institution, em Washington. Por isso as agências de inteligência militar vêm atualizando os mapas de cidades iraquianas, com a ajuda de fotografias de alta resolução obtidas via satélite. Além disso, o Pentágono requisitou a várias empresas estrangeiras de construção que erigiram os palácios de Saddam e as sedes dos ministérios o envio das plantas das obras. Pilotos de helicópteros e de caças vêm simulando ataques de apoio às tropas invasoras. As que terão a incumbência de serem as primeiras a entrar em Bagdá são as que passaram por treinamentos intensivos de guerrilha urbana, a partir de junho passado em cidades cenográficas criadas em bases militares nos Estados Unidos. Nas ruas de Bagdá e de outras cidades iraquianas, os combates são intensos, com civis inocentes ? entre eles crianças e mulheres ? morrendo na maior tragédia armada deste início de século. Os tanques americanos não estão nas selvas do Vietnã e a década não é a de 60, mas a cada dia mais compositores, principalmente de rock, aderem à lista dos autores de músicas de protesto. Desde o início do conflito no Iraque, bandas como o R.E.M., o Green Day, os Beastie Boys e mesmo o baiano Tom Zé já se manifestaram com músicas contra a invasão americana. O compositor tropicalista compôs duas músicas, ?Urgente pela paz? e ?Companheiro Bush?. A segunda pode ser ouvida na Internet, em http: //portal.trama.com.br/portal/noticia/templnoticia. jsp?idnot=1242. A letra, irônica, diz: ?Se você já sabe/Quem vendeu aquela bomba pro Iraque/Desembuche/Eu desconfio que foi o Bush?. ?Urgente pela paz? faz um protesto mais direto: ?Povo perigo padece/Povoa a praça depressa/De pandeiros e preces/Urgente pela paz?. O trio americano de rap Beastie Boys ? que nos anos 80 era politicamente incorreto, mas hoje é um dos líderes do movimento pela libertação do Tibete, por exemplo ? foi um dos primeiros a disponibilizar uma música na rede, ?In a world gone mad?. O ex-cantor do grupo de rock Rage Against the Machine (um dos mais engajados dos anos 90, que empreendeu uma batalha pelos direitos do suposto criminoso Mumia Abu-Jamal), Zack de La Rocha, antecipou uma faixa de seu futuro disco solo, ?March of death?, que gravou em parceria com o DJ Shadow. Na letra, De la Rocha critica o presidente Bush: ?Não vou seguir como gado/Sou mais um catalisador/Calmo no meio da batalha/Quem deixou o caubói sentar na sela?/Ele não sabe distinguir um míssil de um martelo?.