Internacional
EUA avan�am e rompem linha vermelha de Bagd�
Qatar e Washington ? As tropas dos EUA atacaram ontem a Guarda Republicana do Iraque nas imediações de Bagdá e romperam, pela primeira vez a ?linha vermelha?, cerco montado pelas forças iraquianas para proteger o acesso à capital. O avanço ocorreu um dia depois de os EUA concluírem o que foi, segundo o Pentágono, seus mais intensos ataques aéreos contra as tropas do ditador Saddam Hussein desde o início da guerra. Os principais choques ocorreram em Hindiya, cidade cortada pelo rio Eufrates a 80 km da capital. No combate de rua, a 3ª Divisão de Infantaria usou tanques e metralhadoras para disparar contra a divisão Medina, a mais bem armada da Guarda Republicana. Os americanos dizem ter capturado dezenas de soldados iraquianos, muitos usando uniformes da brigada de Tikrit, cidade natal de Saddam, ao norte, sinal de que a Guarda Republicana recebera reforços para conter a ação. No total, até 80 mil homens compõem a Guarda Republicana, formada principalmente por sunitas, mesma corrente do islamismo seguida por Saddam, mas minoria no país. Segundo o semanário britânico ?Jane?s Foreign Report?, especializado em questões militares, a força possui hoje cerca de 400 tanques russos T-72 e seus soldados usam versões adaptadas do fuzil AK-47, também russo. Elas são a força de elite das tropas iraquianas. Outro confronto intenso ocorreu no cerco a Najaf, 160 km ao sul de Bagdá. Duas brigadas da 101ª Divisão Aerotransportada entraram na cidade pelo norte e pelo sul. Segundo repórteres na região, soldados vestidos à paisana atiraram contra forças dos EUA a partir de veículos civis ? um soldado americano foi morto. Baixas A 101ª Divisão usou helicópteros Apache para atingir seus inimigos ? os primeiros relatos indicavam cerca de cem baixas iraquianas, entre mortos e feridos. ?Estamos acabando com a habilidade deles de lutar?, disse o general dos EUA Vince Brooks, no comando de operações no Qatar. Mais tarde, o general Stanley McChrystal, vice-diretor de operações do Departamento de Estado dos EUA, disse que as operações de ontem complementaram os intensos ataques aéreos do final de semana. O general disse que cerca de 3.000 bombas guiadas por satélite foram lançadas contra as tropas de Saddam em 48 horas ? mais de um terço do total lançado pela coalizão desde o início do ataque, em 20 de março. ?Aeronaves dos EUA cumpriram cerca de mil missões no Iraque no domingo. Os alvos eram, em sua maioria, divisões da Guarda Republicana?, declarou McChrystal. Segundo oficiais do Pentágono, que falaram sob a condição de anonimato, tais bombardeios teriam reduzido pela metade as forças das divisões Medina e Bagdá, responsável pela defesa das estradas que levam à capital pelo sul. Essa situação teria facilitado a ofensiva americana de ontem, montada para dimensionar as reais condições de combate da Guarda Republicana. Pontos fracos Uma das metas seria verificar se essa força realmente tem ou não armas químicas e se pretende usá-las dentro da ?linha vermelha?. ?Patrulhas estão avançando para ver quais são os pontos fracos e fortes deles. Essa ainda não é a grande batalha [rumo a Bagdá]?, declarou um dos oficiais ao diário britânico ?The Independent?. Palácio atingido Ainda ontem, a coalizão anglo-americana voltou a bombardear intensamente Bagdá. Três grandes explosões abalaram a cidade durante a tarde -uma delas destruiu parte do palácio presidencial em que vive Qusay, um dos filhos de Saddam e comandante da Guarda Republicana. Os sons de baterias antiaéreas foram ouvidos ao longo de todo o dia. Victoria Clarke, porta-voz do Pentágono, insinuou, sem dar detalhes, que familiares de Saddam teriam tentado fugir de Bagdá nos últimos dias.