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Governo iraquiano quer morte de “mercen�rios”

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Bagdá ? O ministro iraquiano da Informação, Muhammed al Sahaf, afirmou ontem que os soldados americanos e britânicos que participam da guerra no Iraque devem ser mortos (referindo-se a eles como ?mercenários?). ?Matar civis é um crime de guerra. Esses invasores, esses mercenários americanos e britânicos devem ser mortos. Eles atacam civis porque são invasores e racistas?, declarou Al Sahaf, durante coletiva de imprensa em Bagdá. De acordo com o ministro, as forças iraquianas mataram 43 soldados norte-americanos e britânicos no final de semana. O Exército iraquiano também teria destruído 13 tanques, oito veículos tripulados armados, seis veículos armados e dois aviões das unidades britânicas e americanas. Autoridades da coalizão anglo-americana não confirmaram as informações do ministro iraquiano. Al Sahaf chamou o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de ?estúpido? e disse que sua queda está próxima. O ministro declarou ainda que o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, sofre de ?histeria?. Segundo o ministro, centenas de milhares de iraquianos fiéis a Saddam Hussein estão lutando contra ?os agressores dia e noite?. ?Decidimos que eles não vão dormir, eles não vão descansar em hora nenhuma. Já conseguimos colocar eles (as forças anglo-ameri-canas) a 30 km de Nassariah?. O ministro falou através da TV estatal iraquiana, que retomou sua programação ao meio-dia (6h em Brasília), após uma interrupção de dez horas, provocada por um bombardeio que atingiu o Ministério da Informação, em Bagdá, um dos principais alvos dos bombardeios das tropas de coalizão das últimas horas. O telhado do moderno edifício de 11 andares do Ministério da Informação, situado no oeste da capital iraquiana, foi atingido por um míssil Tomahawk, destruindo painéis de vidro e antenas de satélites. O ataque ao centro de comunicação ? o segundo em três dias ? tirou a TV pública iraquiana do ar. O edifício já havia sido bombardeado por um míssil no sábado. Os meios de comunicação estrangeiros que ocupavam um centro de imprensa aberto no local foram obrigados a se mudar para um grande hotel da cidade. Antes da entrevista do ministro, um porta-voz militar iraquiano tinha previsto que pelomenos 54 soldados americanos ou britânicos morreram nas últimas 24 horas de combate, principalmente no sul do Iraque. Em comunicado lido na televisão, o porta-voz afirmou que os soldados foram mortos nas localidades de Abi Khassib, Al-Zoubair, Bahila e Talha, na região de Basra (sul). /// EUA restringem trânsitode iraquianos no deserto Qatar ? Forças especiais dos Estados Unidos assumiram ontem o controle da movimentação de pessoas no deserto localizado no oeste do Iraque, segundo o general norte-americano Vincent Brooks, no Qatar. ?Estamos impedindo a livre movimentação de pessoas em todo o deserto do oeste do Iraque e estamos sendo bastante eficientes nisso?, afirmou Brooks. Oficiais norte-americanos disseram que duas pistas de pouso e decolagem da região haviam sido capturadas pelas forças norte-americanas no começo da guerra. Segundo analistas, as pistas H2 e H3 poderiam se tornar úteis como pontos de apoio para as forças norte-americanas e britânicas e poderiam contribuir com o abastecimento das unidades eventualmente envolvidas no cerco a Bagdá. Viajantes que chegam à fronteira do Iraque com a Jordânia disseram ter encontrado postos de controle dos militares norte-ame-ricanos ao longo do caminho. ?Vimos soldados norte-americanos em cerca de metade da estrada??, disse Lola Osman, 43, do Djibuti, que fugiu ontem da capital iraquiana com seis filhos pela estrada de 550 quilômetros que liga Bagdá à fronteira jordaniana. ?Eles pararam o veículo, fizeram perguntase depois nos mandaram continuar??, declarou. /// Basra: moradores resistem ao cerco anglo-americano Basra ? Foguetes atingem bairros populosos de Basra (sul, do Iraque) todas as noites. Tanques britânicos rondam a periferia da cidade. Uma fumaça preta sobe dos oleodutos, enquanto os iraquianos vêem seu recurso mais precioso em chamas. Mas os moradores da segunda maior cidade do Iraque dizem que podem resistir durante vários meses ao sítio anglo-americano, o que leva à hipótese de que talvez os invasores tenham de desistir do cerco e partir para o ataque. ?Realmente não é um problema para nós. Basra está funcionando normalmente. Sentimos a pressão, mas podemos permanecer assim durante muito tempo?, disse Ahmed, morador da cidade. A estratégia original dos Estados Unidos e do Reino Unido era conquistar rapidamente o sul do Iraque e daí iniciar a ofensiva rumo a Bagdá. Mas as tropas invasoras estão enfrentando uma resistência superior à esperada. As tropas anglo-americanas já controlam as rodovias que servem a cidade, mas ainda não conseguiram entrar em seu centro, apesar dos disparos por terra e por ar. Aparentemente, a população está relutando em se rebelar contra o presidente iraquiano, Saddam Hussein, pois isso implicaria morte quase certa nas mãos do regime. Em 1991, a população do sul do Iraque, majoritariamente xiita, já se rebelou contra Saddam (que é sunita), mas a revolta, incentivada pelos Estados Unidos, foi completamente esmagada. ?Basra só vai cair quando Bagdá cair?, disse Ahmed Hassan. ?Não há outro jeito. As milícias ainda estão aí, há membros do Exército operando.? Centenas de carros deixam Basra todos os dias, mas quase todos retornam horas depois, após visita dos moradores a parentes em aldeias próximas. Pouca gente deixou a cidade definitivamente até agora. Quem tenta sair por razões mais urgentes, como atendimento médico, é frequentemente obstruído pelas tropas ocidentais, o que alimenta o sentimento de ira contra elas.

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