Internacional
Saddam pede a mu�ulmanos para fazerem guerra santa
Bagdá ? O presidente do Iraque, Saddam Hussein, exortou ontem os muçulmanos a se unirem à jihad (?guerra santa?) contra a invasão liderada pelos Estados Unidos ao território iraquiano, segundo um discurso à nação lido na TV pelo ministro da Informação, Mohammed Saeed al Sahaf. O governo iraquiano havia anunciado anteriormente que Saddam apareceria em rede nacional para falar aos iraquianos, às 20h (14h em Brasília). ?Vamos para a jihad?, declarou. ?Deus nos fará vitoriosos.? De acordo com o discurso de Saddam, a ação dos ?invasores? anglo-americanos é ?uma agressão à religião e à nação islâmicas?. ?Há 700 anos, Deus nos deu essa chance. Deus está testando nossa crença?, afirmou. ?Deus ficará satisfeito com o nosso sacrifício?, declarou. ?Esta é a sua chance para a imortalidade.? O discurso pede ainda que os soldados anglo-americanos sejam combatidos. ?Não dê chance de eles tomarem fôlego, até eles saírem da terra islâmica.? O vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, afirmou que mais de 3.000 ?voluntários? árabes estão prontos para realizar atentados suicidas no Iraque contra forças anglo-americanas, seguindo os passos do oficial iraquiano que matou quatro soldados americanos em um ataque suicida no sul do Iraque no sábado. ?Mais de 6.000 ?voluntários? árabes já chegaram ao Iraque. O ministro do Exterior da Arábia Saudita, Príncipe Saud, defende que o ?sacrifício? que Saddam Hussein pede aos muçulmanos seja iniciado por ele, renunciando ao poder para por fim à guerra. ?O presidente pediu ao povo do Iraque que faça um sacrifício por seu país. Mas ele deveria ouvir seu próprio conselho?. Saud deixou entender que, se o único objetivo da luta dos iraquianos é manter o presidente no poder, havia chegado a hora de Saddam sair de cena. /// Bombas do EUA matam 30 civis em Hilla, no Centro do Iraque Hilla ? Ao menos 30 civis, a maioria crianças, morreram quando bombas norte-americanas atingiram durante a noite um bairro residencial na cidade de Hilla, no centro do Iraque, informaram repórteres da Reuters ontem. Os repórteres, levados pelas autoridades iraquianas para um hospital em Hilla, cerca de 80 quilômetros ao sul de Bagdá, viram uma caminhonete transportando os mortos. ?O que ele fez de errado, o que ele fez de errado?? indagava o motorista do veículo, enquanto segurava o corpo de uma criança. Os parentes choravam no lado de fora, à medida que os corpos eram transferidos para dentro do hospital. Um jornalista contou 11 corpos de civis e dois de combatentes iraquianos. Um funcionário do hospital afirmou que o número de mortos foi de 33 civis, com mais de 300 feridos. ?Deus leve nossa vingança à América?, afirmava repetidamente um homem no hospital. Segundo uma equipe médica, toda a família dele havia sido morta. Moradores disseram que forças americanas atacaram a cidade na segunda-feira, mas foram obrigadas a recuar por pressão de tropas iraquianas regulares e irregulares. Escudos humanos Aviões de combate dos Estados Unidos atacaram dois ônibus que transportavam ativistas de defesa da paz norte-americanos e europeus da Jordânia a Bagdá, informou ontem em entrevista coletiva o ministro da Informação iraquiano, Mohammed Saeed al-Sahaf. Os feridos estão sendo tratados em um hospital perto da fronteira jordaniana. Ele não forneceu maiores detalhes sobre a ocorrência. ?Anteontem, um caça americano atacou dois ônibus com passageiros estrangeiros, entre eles americanos, na estrada entre Amã e Bagdá?, disse Sahaf, acrescentando depois que europeus também estariam a bordo. ?Esses eram escudo humanos que estavam vindo para Bagdá...muitos deles ficaram feridos e foram levados a um hospital em Rutba.? /// Combates continuam em Najaf Najaf - Helicópteros da 101ª Divisão de pára-quedistas combatem uma divisão blindada iraquiana não identificada pelo terceiro dia consecutivo nas imediações de Najaf (160 km a sudoeste de Bagdá), informaram oficiais norte-americanos. Helicópteros Apache e Kiowa Warrior intervieram no sul da cidade, segundo o comandante da brigada de aviação da 101ª Divisão. Anteontem, integrantes da divisão de elite Airbourne também usaram helicópteros Apache e Kiowa Warrior para atacar alvos militares ao redor da cidade. A operação tinha como objetivo dar suporte às tropas terrestres. Oficiais norte-americanos disseram que os helicópteros destruíram locais de armazenamento de munição e sistemas de defesa aérea. Os EUA, que enfrentam resistência inesperada de forças leais a Saddam, estacionaram suas tropas ao sul de Bagdá, em aparente demonstração de não terem pressa em entrar na capital iraquiana até que os ataques aéreos e de artilharia enfraqueçam as defesas. O Iraque relatou duros conflitos dentro e nos arredores da cidade de Nassiriah, 375 km ao sudeste de Bagdá, e disse que as tropas invasoras sofreram 60 baixas. O Pentágono disse que os Estados Unidos dispararam 700 mísseis de cruzeiro Tomahawk e 8.000 bombas de precisão contra alvos iraquianos desde o início da guerra, sendo 3.000 nos últimos três dias. Foram realizados mil vôos nas últimas 24 horas. EUA e Reino Unido têm 100 mil militares no país. O Iraque disse que morreram quase 600 civis e mais de 4.500 foram feridos. O país ainda não relatou as vítimas militares. Do lado da coalizão, 26 britânicos e 46 americanos morreram, segundo o Pentágono.