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Iraque perde aeroporto e amea�a EUA com “mart�rio”

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Bagdá ? O Iraque ameaçou ontem lançar uma ?ação não-convencional? contra as tropas americanas que ocuparam o aeroporto de Bagdá. A ameaça foi feita pelo ministro da Informação, Mohammed Said al Sahaf, numa entrevista coletiva na qual admitia, implicitamente, a perda do aeroporto. ?Executaremos uma ação-convencional contra eles, não necessariamente militar?, disse al Sahaf, informando que a ação seria à noite (de ontem, em Bagdá). Indagado sobre se o Iraque recorreria a armas de destruição em massa, Sahaf disse: ?Não, nada disso. Mas conduziremos uma espécie de operação de martírio. Comandaremos essa operação de forma muito nova e criativa?. Por fim, o ministro disse que se os norte-americanos (no aeroporto) ?não se renderem, não creio que poderão sobreviver?. Em uma gravação veiculada na TV iraquiana, Saddam Hussein pedia aos iraquianos para lutar ?com o que tiverem à mão?. ?Lutem contra eles com força, resistam a eles. Ó povo de Bagdá, não permita nunca que invadam sua cidade?, disse. No sábado passado, um porta-voz do governo iraquiano havia anunciado que mais de 4.000 árabes chegaram ao país e estariam prontos para ?se martirizar? a fim de impedirem o avanço de tropas invasoras em direção a Bagdá. O anúncio ocorrera justamente horas depois de um soldado iraquiano detonar uma bomba dentro de um táxi, matando a si e quatro soldados americanos em um posto de controle. Analistas militares dizem que o aeroporto internacional Saddam era um dos principais objetivos das forças norte-americanas, que podem usá-lo como base operacional em batalhas pelo controle da capital. Peabody disse que a pista está em boas condições. O avanço coloca a capital ao alcance de foguetes terrestres e outras armas levadas pelos soldados dos EUA a partir do Kuwait, mas não está claro quando será lançada uma ofensiva contra a cidade de 5 milhões de habitantes. O Exército dos EUA disse que 320 soldados iraquianos foram mortos na luta pelo controle do aeroporto, que fica a 20 quilômetros a sudoeste do centro de Bagdá. Os militares norte-americanos disseram que dezenas de peças de artilharia antiaérea, veículos de transporte de tropas e caminhões foram capturados ou destruídos. Os norte-americanos enfrentaram depois um contra-ataque iraquiano. Veículos de combate Bradley dispararam com metralhadoras pesadas e mísseis TOW, destruindo quatro tanques soviéticos T-72, um T-62 e outros veículos. Tanques esfumaçados e corpos estavam espalhados pelo chão. Explosões O repórter da Reuters Nadim Ladki, em Bagdá, ouviu mais de cem explosões durante a noite na direção do aeroporto, que, desde as sanções internacionais aplicadas após a Guerra do Golfo, em 1991, tem sido pouco utilizado. Outras barulhentas explosões chacoalharam o centro de Bagdá no início da manhã de ontem, o dia sagrado dos muçulmanos. O comando central norte-americano no Qatar disse na sexta-feira que aviões norte-americanos e britânicos atingiram, com bombas guiadas por satélite, a sede da Força Aérea iraquiana, no centro de Bagdá. ?O ataque danificou as capacidades da Força Aérea para comandar e controlar suas instalações aéreas,? informou um comunicado dos EUA. Pelo primeiro dia desde o início da campanha militar, no dia 20 de março, Bagdá ficou escura e em silêncio, sem que os alto-falantes transmitissem as orações para os muçulmanos. Os únicos ruídos vinham dos cachorros latindo e dos aviões. Os Estados Unidos, porém, afirmam não ter atingido instalações de energia iraquianas.

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